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    O QUE SE MOVE

    Longa de estreia do capixaba Caetano Gotardo é desde já uma das melhores produções brasileiras do ano
    Por Roberto Guerra
    05/05/2013

    Inspirado em três histórias reais, noticiadas pela imprensa no início dos anos 2000, O Que se Move trata da tragédia de pessoas que precisam lidar com a dor da perda. Se o tema é batido e os fatos bem conhecidos do público, o mesmo não pode-se dizer da maneira inovadora como o estreante em longa-metragem Caetano Gotardo conduz esse corajoso filme, que aposta na ousadia narrativa e acerta a mão no desenvolvimento de sua trama pungente dividida em três atos.

    Mostrando elogiável domínio de como contar uma história, Gotardo desenvolve em seu longa três enredos independentes, que em nenhum momento se entrelaçam, mas que dialogam quase intimamente entre si pela dimensão do drama vivido por suas três personagens femininas. Há apenas um ponto de convergência entre as histórias, o fato de cada uma delas terminar com sua protagonista cantando uma música capaz de sintetizar de forma inquietante sua dor.

    Inegavelmente, quando a primeira das personagens começa sua cantoria de lamento, a surpresa se estabelece de pronto. Ficamos entre o encantamento e o medo que tudo desande daí em diante. Ao final, prevalece o contentamento de ver o bom resultado que só poderia ser obtido por alguém com coragem para arriscar e experimentar, mas com talento suficiente para fazer tudo funcionar a contento.

    O filme tem o mérito adicional de promover reflexão sobre o fato de haver uma história por trás de cada personagem que vemos estampado - e devidamente rotulado - nos veículos de comunicação. Com sua profundidade, O que se Move nos lembra, de maneira incômoda, o quanto estamos habituados a fazer julgamentos precipitados de situações e pessoas.

    Com absoluto controle sobre seu trabalho, o diretor soube antever a necessidade de segurar a densidade dramática do filme por meio de atrizes capazes de transmitir sem vacilo a tensão vivida por estas mulheres. As cantoras e atrizes Cida Moreira e Andrea Marquee e a atriz Fernanda Vianna são as escolhas acertadas do diretor, quem fortalecem O que nos Move com interpretações ricas e cheias de verdade, tornando impossível ao espectador não engolir seco e se emocionar diante da agonia excruciante dessas personagens.

    O que nos Move pode ser incluído desde já no ranking das melhores produções nacionais do ano. Na verdade, dos últimos anos. Um filme que se move na direção irrepreensível do bom cinema: aquele que cria (e não inventa), experimenta (com responsabilidade), inova (e não se perde) e se recusa a ignorar o público.