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    O QUEBRA-NOZES E OS QUATRO REINOS

    Por Daniel Reininger
    01/11/2018

    Inspirado no balé clássico O Quebra-Nozes, esta reimaginação para o cinema está mais para As Crônicas de Nárnia e Alice no País das Maravilhas do que para algo realmente inspirado no famoso espetáculo. O problema nem é a falta de originalidade, é o tom do filme, que não sabe se quer ser infantil, ao focar em cenas muito bobas, ou para adolescentes, com situações assustadoras.

    Na trama, uma jovem garota que não consegue se conectar com sua família após a morte da mãe. Clara (MacKenzie Foy) segue o padrão Disney: está cansada de sua condição e busca algo novo. Ela acaba recebendo um presente da mãe que a leva a um mundo incrível, belo e assolado por uma guerra entre os quatro reinos.

    O visual fantástico desse outro mundo é muito interessante, com um ar decadente e exagerado que chama muita atenção. A parte artística é um dos pontos altos do longa, desde figurino até paisagens e elementos de cena. Já a trilha poderia ser melhor, ainda mais considerando que o longa se baseia num balé.

    Além disso, semelhança com O Mágico de Oz e Alice é forte demais a ponto de incomodar. Ao menos, os melhores momentos do filme acontecem quando ele se torna surreal e assustador. O resto do tempo, o filme parece focado demais em piadas infantis e personagens rasos agindo como robôs para fazer a trama fluir. As atuações são particularmente ruins e a relação entre Clara e o Quebra-Nozes é sem graça, para dizer o mínimo. A vilã então é caricata e patética.

    O Quebra-nozes E Os Quatro Reinos ainda usa mal a equipe do American Ballet Theater, cuja participação se torna apenas uma forma de nos lembrar de que estamos vendo uma obra baseada em um balé. A dança é maravilhosa, porém a encenação está muito deslocada e parece forçação de barra incluí-lo. Era melhor fazer desse longa um musical do que seguir da forma apresentada aqui.

    O longa sofre problemas de tom, é uma bagunça, mas é visualmente estranho o suficiente pra prender a atenção do espectador, mesmo que ele não se importe nem um pouco com nenhum dos personagens da trama, todos mal construídos. É uma pena que o filme seja incapaz de ser fofo ou sombrio suficiente e nunca faça jus ao balé e nem ao visual criado pela inspirada direção de arte.