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    O RAIO VERDE

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Tudo bem que existe uma onda "rohmeriana" nos cinemas, com vários filmes do cineasta Eric Rhomer estreando ou reestreando nas nossas salas. Mas é preciso ter bom senso: nem tudo que é de Rhomer é necessariamente genial. É o caso, por exemplo, do cansativo O Raio Verde, filme que o diretor realizou em 1986 e só agora estréia no Brasil. Se não tivesse estreado, não faria muita falta.

    Tudo gira em torno da entediante Delphine (Marie Rivière, também roteirista do filme), uma secretária parisiense deprimida por estar sozinha durante as férias de verão em Paris. Nada a satisfaz. Nem ficar na cidade, nem viajar, nem... Nada. A cada 20 minutos de filme ela tem uma crise de choro, e sua presença é uma chatice tanto para os personagens com as quais ela contracena, como para o público que se afunda na potrona do cinema. Uma análise mais "benemérita" pode até supor que o filme é extremamente entediante e vazio porque retrata exatamente a solidão de uma personagem que também é extremamente entediante e vazia. Mas isso justifica uma ida ao cinema?

    O Raio Verde ganhou prêmios no Festival de Veneza e de uma forma geral foi muito bem recebido pela crítica européia. Tudo bem. Talvez o francês tenha mais vocação de se entediar do que os brasileiros, porque no fundo trata-se de uma experiência bastante aborrecida.