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    O REGRESSO

    Roteiro simples é compensado por visual e atuações incríveis
    Por Daniel Reininger
    29/01/2016

    O Regresso justifica suas doze indicações ao Oscar 2016 com produção primorosa, visual impressionante, atuações convincentes e por mostrar o velho-oeste de uma forma visceral e feroz. Apesar do roteiro simplório, é a intensidade da luta de Hugh Glass (Leonardo Dicaprio) pela sobrevivência que nos mantém interessados e nos tira o fôlego. O sofrimento na tela é grande e, por isso, o filme não é para todos os públicos, afinal, aflição é apenas o mais leve dos sentimentos que esse longa desperta nos espectadores.

    A trama simples é inspirada em fatos e no romance de mesmo nome de Michael Punke. Dirigido pelo vencedor do Oscar de 2015 por Birdman, Alejandro González Iñárritu, a história acompanha o calvário impressionante do caçador de peles vivido por DiCaprio, que viu seu grupo ser atacado por índios, depois é destroçado por um urso, perde o filho e, finalmente, é deixado para morrer nas montanhas congeladas da fronteira americana de 1823. Isso é só o começo. A partir daí, ele precisa sobreviver e se vingar.

    O Regresso começa com uma expedição em busca de peles, liderada pelo capitão Henry (Domhnall Gleeson, de Star Wars: O Despertar Da Força), sofrendo um ataque da tribo de índios Arikara, cujo líder procura sua filha. É uma batalha brutal, filmada de forma bela por Iñarritu, com incríveis planos de sequência, câmera sempre em movimento e tomadas à luz natural do inverno Argentino (onde a obra foi filmada).

    O filme todo, na verdade, usa esses elementos em mais um ótimo trabalho de fotografia de Emmanuel Lubezki, que merece ser reconhecido pela Academia de Hollywood por essa obra. A desolação da paisagem gelada é capturada com toda força por Lubezki e, apesar das dificuldades das condições de trabalho reveladas pela equipe de produção, o resultado é espetacular. A luta do homem contra a natureza nunca foi tão brutal na sétima arte.

    Mas o cinema não é feito só de visual e, se a história não inova ou surpreende, os personagens precisam nos conquistar. Isso acontece graças à entrega total de Leonardo DiCaprio em uma atuação digna de Oscar, incapaz de ser igualada por nenhum dos outros concorrentes a Melhor Ator de 2016.

    DiCaprio nos mantém investidos no elemento humano deste conto de sobrevivência e somos capazes de sentir sua solidão e desespero. O trabalho do ator é ainda mais notável quando ele não pode falar e precisa transmitir emoções fortes apenas com os olhos. Não que ele tenha muitos diálogos ao longo da trama, então as principais informações sobre o personagem vêm de suas expressões.

    E sem um competente elenco de apoio, DiCaprio estaria perdido, sorte então que Tom Hardy funciona como antagonista no papel de Fitzgerald, traumatizado caçador de pele que se tornou prático ao extremo a fim de sobreviver. E Gleeson também manda bem e transforma o capitão da expedição, que poderia facilmente ser alguém sem profundidade, em um coadjuvante complexo e imprevisível, a ponto de realmente nos importarmos com ele.

    O Regresso é emocionalmente implacável, porém o roteiro deixa a narrativa monótona lá pela metade, quando cada novo desafio se torna apenas mais uma chance de DiCaprio mostrar como é badass, enquanto aguenta provação após provação. Além disso, o filme ainda pode parecer um pouco pretensioso, com longas tomadas sobre nada e momentos que parecem ter saído de um filme de Terrence Malick (A Árvore Da Vida). Sem falar no final previsível, o qual deixa um leve gosto amargo na boca.

    São problemas que incomodam sim, mas não tiram o brilho desse experimento de Iñárritu, inegavelmente um dos melhores diretores da atualidade. O Regresso reforça a importância de vermos no cinema obras que vão além do entretenimento ou discursos sociais e simplesmente existam pelo bem da sétima arte. Assim como no caso de Jauja, todo cinéfilo precisa assistir a essa produção pelo menos uma vez, independente se vai ou não gostar do resultado final.