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    O REINO

    Por Celso Sabadin
    23/11/2007

    John Lennon dizia que "o sonho não acabou". A julgar pelo filme O Reino, o cinema norte-americano parece preferir outro recado: "O ódio não acabou". O que poderia justificar um investimento estimado em US$ 80 milhões numa produção tão violenta e racista como esta, a não ser o ódio exacerbado que parte da população norte-americana ainda nutre pelo povo árabe? E mais: como é possível que o roteirista Matthew Michael Carnaghan, o mesmo do excelente e pacifista Leões e Cordeiros, possa ter escrito um roteiro tão rancoroso como o de O Reino? Talvez a direção de Peter Berg (do truculento Bem-Vindo à Selva) tenha alterado a idéia inicial de Carnaghan ou talvez a principal empresa produtora do filme, a Universal Pictures, tenha pressionado para que O Reino passasse uma mensagem belicista. Afinal, a Universal é uma empresa que faz parte da General Electric (GE), grupo empresarial que, entre outras atividades, fabrica turbinas de motores para aviões de guerra.

    Teorias da conspiração à parte, o fato é que O Reino é um filme do mal. Ele começa com um clipe muito rápido que conta de forma superficial um pouco da história da Arábia Saudita após 1932, ano em que foi perfurado o primeiro poço de petróleo naquele país. As legendas brancas sobre o fundo branco prejudicam ainda mais o entendimento desta introdução. Passados estes créditos iniciais, a ação é transferida para os dias de hoje, quando um violentíssimo ataque terrorista (que inclui uma explosão falsamente digital) mata uma centena de "não-islâmicos" sediados em território árabe. Rapidamente, os EUA montam uma equipe de investigação comandada pelo agente especial do FBI Ronald Fleury (Jamie Foxx, de Ray). A partir daí, o que se vê é a repetição dos velhos e batidos clichês que colocam os EUA como os salvadores do mundo livre, tendo, conseqüentemente, poderes ilimitados para subjulgar toda e qualquer cultura e para ridicularizar toda e qualquer crença em nome desta "cruzada" em prol da liberdade.

    A turma de Fleury desembarca na Arábia sem permissão, desrespeita as leis locais e passa a fazer parte da equipe de investigações do governo saudita que, no filme, é pintada como uma cambada de incompetentes. Tudo para desembocar num final extremamente violento, repleto de ódio e intolerância contra todos aqueles que se oponham à nobre missão americana de salvar o mundo. Só faltou no final do filme algum letreiro pedindo para que os eleitores de Bush apóiem a liberação de mais verbas federais para sustentar a Guerra do Iraque.

    A boa notícia é que parece haver ainda alguma luz no fim do cano do canhão: O Reino foi um fracasso nas bilheterias dos EUA, onde arrecadou somente um pouco mais da metade dos seus custos. Talvez por ali também as pessoas não agüentem mais tanta mentira.