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    O RITUAL

    Suspense exorcista com Alice Braga entrega o que promete: um bom entretenimento de terror<br />
    Por Celso Sabadin
    05/02/2011

    Ajudante de seu pai numa casa funerária, Michael (o irlandês Colin O´Donoghue, praticamente estreando na tela grande) planeja aplicar um pequeno e aparentemente inofensivo golpe: deixar o emprego que odeia, sair de casa, e estudar durante quatro anos num seminário às custas da Igreja Católica. Quando finalmente chegasse a hora de se ordenar padre, ele pularia fora. Porém, antes de deixar o seminário definitivamente, Michael aceita um desafio de seu superior: viajar para Roma e fazer um curso sobre exorcismo. Um curso que mudará toda sua vida.

    Inspirado num caso real e baseado no livro The Making of a Modern Exorcist de Matt Baglio, O Ritual não recebeu boas críticas nos Estados Unidos, mas merece um olhar mais atento e um julgamento menos precipitado. Por várias razões.

    Uma delas é a direção do sueco Mikael Håfström (pessoal, não é fácil colocar esta bolinha em cima da letra A), o mesmo de outro bom terror: 1408, com John Cusack. Embora tradicional e fiel aos padrões do cinemão comercial, o estilo de Mikael é um pouco menos óbvio e um pouco mais sutil do que se observa na maioria dos filmes do gênero. Claro, existem os clichês de sempre, como os sustos forçados pela música alta, ou a intrépida jornalista sempre em busca da verdade (papel da brasileira Alice Braga). Mas na soma de todos os medos trata-se de uma direção elegante e eficiente, que garante o clima de suspense até o final.

    Outro ponto positivo é a bem-vinda caracterização de Anthony Hopkins como um padre de fé oscilante, que destila com graça e sarcasmo toda a sua verve irônica tipicamente britânica, amparado por bons diálogos. Ao ser questionado sobre a suposta simplicidade de um ritual de exorcismo, Padre Lucas (personagem de Hopkins) dispara: “O que você esperava? Cabeças girando? Sopa de ervilha?”, brincando com o clássico de William Friedkin.

    Vale a pena também apreciar com um pouco mais de vagar o roteiro de Michael Petroni, um dos roteiristas do terceiro episódio de As Crônicas de Nárnia. O filme não apenas levanta questões sobre a Fé, como também propõe em seu subtexto que toda a maldade demoníaca reside na verdade profundamente escondida dentro de cada um de nós. Nos medos infinitos que temos daquilo que nós mesmos cometemos. Vale a discussão!

    O Ritual conta ainda com duas participações especiais de luxo: o holandês Rutger Hauer (de Blade Runner) como o pai de Michael, e a belíssima italiana Maria Grazia Cuccinotta (de O Carteiro e o Poeta) escondida no papel da tia de uma garota endemoniada. Desperdício, hein?

    De qualquer maneira, o filme é extremamente honesto na sua proposta de realizar um bom entretenimento de terror, dentro dos padrões do cinema de mercado, acima da média do gênero e com respeito ao público. Vale ser visto na tela grande.