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    O SABOR DA MELANCIA

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    O cinema oriental chama cada vez mais a atenção dos espectadores ocidentais. Tanto que, no Brasil, há cada vez mais mostras que dão foco às produções asiáticas. Tsai Ming-Liang, diretor nascido na Malásia e ativo em Taiwan, é um dos mais prolíficos e premiados em seu país. Depois de comover os espectadores com filmes contemplativos, como Vive L'Amour (1994) e Adeus, Dragon Inn (2003), o cineasta apresenta seu mais recente filme, O Sabor da Melancia, vencedor de três prêmios no prestigiado Festival de Berlim.

    Aqui, Liang retoma dois personagens de outro filme seu, Que Horas São Aí? (2001), Shiang-Chyi (Shiang-chyi Chen) e Hsiao-Kang (Kang-sheng Lee). Num tempo indefinido, eles moram em Taipé, que, por causa da falta de chuvas, sofre terríveis secas. O preço da água mineral sobre cada vez mais e eles são obrigados a aplacar a sede com suco de melancia. Solitários, acabam desenvolvendo uma amizade, mas Shiang-Chyi não sabe que Hsiao-Kang é ator pornô de filmes rodados no apartamento em cima do seu.

    Em O Sabor da Melancia, ainda há espaço para o cinema contemplativo de Liang, que agora aproxima mais suas câmeras dos personagens. Sempre parada, a câmera observa a ação acontecendo. A solidão, sempre presente nas tramas do cineasta, continua. Além disso, por meio de cenas de sexo explicito, Liang leva o distanciamento de seus personagens ao ato sexual. O sexo, mecânico e automático, é a forma mais vazia de solidão. A aparente união entre dois corpos enfatiza mais ainda a distância entre seus personagens. Os protagonistas, aparentemente envolvidos romanticamente, se olham, se tocam, mas não chegam ao ato sexual, restrito às cenas dos filmes protagonizados por Hsiao-Kang.

    As cenas de sexo explícito fazem com que O Sabor da Melancia seja de digestão mais difícil, se compararmos aos filmes dirigidos por Liang. Além disso, há alguns coloridos números musicais pontuando a ação, que denotam a mente nonsense dos personagens, cujas ações ficam cada vez mais inexplicáveis, talvez pelas adversidades climáticas pelas quais passam.