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    O SAL DA TERRA

    Por Heitor Augusto
    13/03/2009

    Na recente dramaturgia brasileira, o universo dos caminhoneiros ganhou diversas histórias ficcionais na série televisiva Carga Pesada, originalmente exibida entre 1979 e 1981 e novamente filmada como continuação desde 2003. Uma pequena parte das histórias envolvendo o mundo Pedro e Bino está no longa curitibano O Sal da Terra.

    Calma lá: Antônio Fagundes e Stênio Garcia não estão no filme. A produção dirigida pelo curitibano Eloi Pires Ferreira também não traz o tom de aventura presente na série. E há outro detalhe muito importante: o filme tem o propósito de acrescentar ao cotidiano dos caminhoneiros a liturgia católica por meio da história de um padre que prega dentro de um caminhão pelas estradas do Sul. As histórias envolvendo Miguel (Edson Rocha), o caminhoneiro Romeu (Enéas Lour) e o Andarilho (Luthero Almeida) são o motor do filme e as cinco partes da missa dão a estrutura do filme.

    Boa parte da força de um road movie está na capacidade do filme apresentar personagens cativantes, enigmáticos, irritantes ou qualquer arquétipo que consiga prender a atenção do espectador, conforme o protagonista percorre diferentes caminhos. O Sal da Terra peca em relação a isso. Miguel é um padre simples e realista - felizmente, não tem um retrato idealizado. Claro que acredita na determinação de Deus sobre a vida dos homens, mas tem os pés fincados na realidade do povo que encontra em suas viagens. Espera-se que em suas andanças apareçam figuras interessantes, o que não acontece.

    Apenas uma personagem, a senhora que pede para Miguel benzer uma jovem, mas esconde a real razão do pedido, é cativante. De resto, o filme vira um apanhado de fatos presentes no cotidiano dos caminhoneiros: rotina desgastante de trabalho, perigo de assaltos, saudade da família, playboys que enchem a cara e saem com o carro do pai na estrada. Nada que o público ainda não tenha visto.

    O longa tinha muito potencial para chegar mais perto das inúmeras pessoas que se acercam do padre Miguel nos sermões, mas prefere se restringir à amizade entre o padre, o caminhoneiro Romeu e o Andarilho. O Sal da Terra é bem filmado, com movimentos de câmera prazerosos, uma trilha sonora rompante e uma atuação solta de Edson Rocha como o padre.

    Mas os dilemas envolvendo os três personagens dão a sensação de que O Sal da Terra poderia ter sido muito mais do que está na tela. Parece até que o roteiro de Altenir Silva, J. Olímpio e Pires Ferreira olhou para um mundo de possibilidades de histórias e simplesmente deu as costas a elas. Pena para o filme.