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    O SEGREDO DE BEETHOVEN

    Por Celso Sabadin
    22/12/2006

    O que Mozart tem que Beethoven não tem? Resposta: um belíssimo filme. Por mais que Ludvig Van Beethoven seja considerado um dos mais geniais e revolucionários compositores de todos os tempos, ele nunca foi retratado pelo cinema com a genialidade que merece. Ao contrário de Mozart, que tem em Amadeus sua cinebiografia definitiva. A dívida do cinema para com Beethoven não foi saldada no mediano Minha Amada Imortal, de 1994, tampouco o será neste O Segredo de Beethoven, da festejada diretora polonesa Agnieska Holland (a mesma de Eruropa Europa). Tanto Minha Amada Imortal como O Segredo de Beethoven optam por criar situações fictícias em cima da vida e da obra do compositor. O que, por si só, não seria um grande problema, posto que este foi justamente um dos artifícios de Amadeus (claro, Salieri nunca desejou matar Mozart). Ambos padecem, porém, da falta de roteiros mais consistentes e direções mais sensíveis.

    O Segredo de Beethoven cria a personagem Anna Holtz (a alemã Diane Kruger, do recente Feliz Natal), uma jovem e humilde copista de partituras musicais que deseja se tornar compositora. Por ser uma ótima aluna, ela é indicada para trabalhar diretamente ao lado de Beethoven (Ed Harris, de Pollock) que, já surdo e mais irascível do que nunca, está finalizando sua Nona Sinfonia. O conflito entre ambos é inevitável. A partir daí, o roteiro se desenvolve dentro da conhecida linha de filmes que mergulham nas relações conturbadas entre aluno e professor, entre idólatras e idolatrados. A inexperiente Anna sabe que há um alto preço a ser pago caso ela deseje continuar bebendo da experiência do mestre, ao mesmo tempo em que o consagrado compositor também pode aprender muito com a dedicação da aluna.

    Se o comportado conteúdo do filme está longe de ter a inquietação e a criatividade da obra de Beethoven, a produção é das mais caprichadas, com belas locações na Hungria, fotografia e figurinos notáveis e a participação da Sinfônica de Londres. Além, é claro, da irresistível música do compositor. Ao som do coral da Nona Sinfonia, não há cena de filme que não cresça diante da platéia.