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    O SEGREDO DOS SEUS OLHOS

    Tecnicamente impecável, Campanella realiza um <em>noir</em> com personagens de dimensões humanas<br />
    Por Celso Sabadin
    01/09/2010

    A dupla Juan José Campanella (direção) e Ricardo Darín (atuação), que tanto sucesso conquistou com O Filho da Noiva, está de volta em O Segredo dos Seus Olhos, drama romântico-policial que deu à Argentina mais uma indicação ao Oscar de Filme Estrangeiro.

    Co-produzido com a Espanha, O Segredo dos Seus Olhos teve também nove indicações ao Goya e venceu nada menos que 12 prêmios da Academia espanhola. Ele é, aliás, o grande sucesso de bilheteria do país hermano desde os anos 80, vendendo em torno de 3 milhões de ingressos. Nada mau para um país que tem 1/5 da população brasileira.

    Números à parte, é um filmão! Darín interpreta Benjamin, oficial de justiça aposentado que pretende escrever um livro sobre um antigo caso de assassinato que ele mesmo investigou e nunca lhe saiu da cabeça. Para isso, ele procura a amiga e colega Irene (Soledad Villamil), sua chefe na época do caso, que continua na ativa. A partir deste reencontro, voltam à tona intensas e sofridas emoções que pareciam estar definitivamente enterradas no passado, mas que ainda estão mais vivas do que se poderia imaginar.

    Esqueça os clichês daquilo que imaginamos que possa ser um filme argentino. Nada de tangos dançados em cabarés esfumaçados, nem presos políticos desaparecidos na época da ditadura. Nada de Mães na Plaza de Mayo e... sim, ok.. um pouco de futebol vai bem...

    Baseado no livro homônimo de Eduardo Sacheri, O Segredo de Seus Olhos é um policial fortemente influenciado pelo noir americano dos anos 40, felizmente sem cair nas sofríveis armadilhas de estilo que o próprio Darín caiu em O Sinal, sua única incursão até aqui pela direção cinematográfica, que também flertava com o mesmo gênero. Os personagens são riquissimamente construídos, com nuances críveis e dimensões humanas. Assim como os antigos filmes de Humphrey Bogart, ninguém é totalmente herói, ninguém é totalmente vilão. São apenas pessoas em busca de seus sonhos e aspirações, cada um com seus limites – ou não – de ética e moral, cada um com suas motivações maiores ou menores que levam a atos igualmente maiores ou menores.

    Tudo isso numa história regada a paixões sufocadas pelo tempo e – por incrível que possa parecer – boas doses de um humor refinado que serve como uma eficiente válvula de escape dentro de uma temática tão tensa. A conexão Passado/ Presente, tão cara à cultura argentina, tem como ponto de intersecção a Paixão. Por uma mulher, por um caso policial, pela justiça pela vida ou até por um time de futebol. Mas é a Paixão irracional e incondicional, acima de tudo, que faz o motor da História girar.

    Tecnicamente impecável, com uma fotografia densa e misteriosa, o filme também merece destaque pela atuação precisa de todo o seu elenco. E com uma curiosidade: Guillermo Francella, no belo e patético papel de Sandoval, é um conhecido comediante argentino, aqui atuando num registro mais dramático.

    A empolgante cena do Estádio do Racing já virou antológica.