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    O SENHOR DOS ANÉIS: AS DUAS TORRES

    Por Celso Sabadin
    27/12/2002

    Quem gostou do primeiro vai gostar do segundo. Quem não gostou... vai continuar não gostando. A segunda parte da trilogia O Senhor dos Anéis tem exatamente as mesmas qualidades e os mesmos defeitos do primeiro episódio. Qualidades: visual estonteante, direção de arte de primeiríssima linha, efeitos especiais de tirar o fôlego. Defeitos: roteiro excessivamente verbal, uma enxurrada de diálogos e explicações que aproximam o filme muito mais da estética literária que propriamente da narrativa cinematográfica. Forma nota dez, conteúdo nota dois. Média seis: passou.

    O diretor Peter Jackson continua não acreditando na inteligência de seu público e faz questão de sublinhar - verbalmente - aquilo que já está claro visualmente. Se uma represa vai ser rompida para inundar os inimigos, o roteiro faz questão de inserir um personagem que gritará: "Vamos romper a represa para inundar os inimigos". Totalmente desnecessário e redundante, já que as excelentes imagens falam por si. Usar este recurso uma ou duas vezes, tudo bem, mas repeti-lo exaustivamente durante as três horas de projeção é, no mínimo, cansativo. Fica parecendo aqueles "film noir" dos anos 40, quando o detetive tinha de ficar o tempo todo explicando, por meio de palavras, o que estava acontecendo. A diferença é que naquela época o cinema padecia de uma crônica falta de verbas, por causa da Guerra, e não havia dinheiro para mostrar, cinematograficamente, o que rolava na ação propriamente dita. A narração e o falatório eram recursos simples e baratos. Jackson não precisava de nada disso. Afinal, dinheiro não faltou para ele contar - visualmente - a saga de Tolkien. E vale lembrar que cinema é uma linguagem eminentemente visual, criada através de ferramentas como enquadramento, corte, montagem. Diálogos em excesso é uma característica de bons livros e boas peças de teatro, mas não de bons filmes.

    E assim como A Sociedade do Anel, As Duas Torres também está longe de ser um bom filme. Podemos compará-lo a uma espetacular queima de fogos de artifício: esplendoroso, maravilhoso, plasticamente perfeito, colorido..., mas que no final da sessão não deixa nada além de um simples cheiro de pólvora parado no ar. Como diria Shakespeare, muito barulho por nada.

    E só para finalizar: a música não pára praticamente nunca. É o caso de rever o filme com um cronômetro na mão, mas duvido que haja espaços sem música superiores a 60 segundos durante toda a projeção. É de exaurir os ouvidos de qualquer um.

    23 de dezembro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br