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    O SEQUESTRO DE UM HERÓI

    Filme consegue se dar bem como suspense. Quando tenta algo a mais, escorrega<br />
    Por Heitor Augusto
    01/03/2011

    A sequência inicial de O Sequestro de um Heroi, que apresenta en passant a vida de seu protagonista, o industrial Stanislas Graff, indica que virá um grande filme pela frente. É só impressão, infelizmente, pois a produção de Lucas Belvaux não consegue, em seu desenvolvimento, dar conta de todas as suas pretensões.

    Na rápida e precisa apresentação, descobrimos que Stanislas é poderoso o suficiente para conseguir marcar um almoço com o presidente da França, tem outro tanto de charme para escapar de uma reunião e encontrar a amante, além de uma dose de hipocrisia para voltar a casa e beijar ternamente sua esposa e filhas. Repentinamente, na manhã seguinte, ele é sequestrado.

    Então, teremos um suspense tradicional, certo? Bandidos contra a polícia, a empresa de Stanislas querendo destronar seu acionista majoritário contra a família sofrendo na perspectiva pessoal. Quem se sairá bem neste duelo? Belvaux usa as convenções de um thriller– como o acompanhamento musical com violinos a criar mistério e movimentos serenos de câmera –, mas lá pela metade decide abrir mais uma frente em seu filme.

    O Sequestro de um Heroi decide ampliar suas pretensões filosóficas e propor um questionamento: quanto vale a vida humana? O filme até se dá bem ao investir neste tema, com uma cena de confronto entre a filha mais velha e a mãe. Porém, Belvaux quer mais e direciona sua câmera para um julgamento sociológico – a derrocada moral de um homem sobre o qual se descobriu, após o sequestro suas “imoralidades”.

    O problema é que, em 125 minutos, o filme decide falar de todos e traçar relações coerentes entre os temas, mas não consegue investir a fundo em nenhum deles. Onde se dá melhor é certamente a resolução da trama do sequestro em si, acertando na ambientação e nas subtramas – aos poucos descobrimos quem é Stanislas. Em seus outros temas, a produção ameaça, mas não se concretiza.

    Por vezes, o filme apoia-se em demasia nos diálogos. Fala-se demais e o silêncio, aquele poderoso elemento dramático, é praticamente esquecido. O Sequestro de um Heroi trafega sem muitas dificuldades pelo suspense e a resolução de um crime. Quando tenta maiores pretensões, desenrola pontas que não consegue resolver efetivamente.