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    O SEQUESTRO DO METRÔ 1 2 3 (2009)

    Tony Scott exagera na câmera, na trilha, na edição, na condução dos atores...<br />
    Por Heitor Augusto
    03/09/2009

    Observar a produção recente de filmes de ação dá a sensação de que, na indefinição entre moderar ou enxertar, os diretores têm optado sempre por acrescentar informação, movimento, barulho – estilo de direção que interfere até mesmo na interpretação de bons atores.

    A refilmagem O Sequestro do Metrô 1 2 3 pode ser facilmente incluída sob essa classificação. Para recontar a história de um bando que sequestra um metrô em Nova York e exige US$ 10 milhões em troca da vida dos reféns, Tony Scott utiliza um leque de exageros que se tornam visíveis em diversos momentos. Vamos a eles.

    O primeiro é o desenho do vilão, Ryder (John Travolta). Ele é uma construção simplista sobre o bandido malvado e desequilibrado. Ele não fala, berra. Se quer mostrar que está bravo, o que faz? Recorre a dezenas de fu... e motherfu... Por princípio, não tenho nada contra palavrões (aliás, utilizo vários deles), mas no personagem soa como algo falso que tenta dar conta de outros buracos. Ryder não é um personagem, mas um tipo (no caso, malvado), que nos dá saudade da complexidade do Curinga de Batman – O Cavaleiro das Trevas.

    O segundo exagero está na maneira que Scott usa a câmera parar acelerar os batimentos cardíacos do espectador. Em situações de tensão ou encontro de personagens chaves para a resolução de uma cena, ele recorre a diversos rodopios da câmera em torno dos personagens. Sinceramente, dá vontade de vomitar depois de ser submetido a 15 segundos de câmera girando. Uma pergunta: se a situação estivesse bem construída, de fato, ele precisaria mesmo passar para a câmera a função do suspense?

    O terceiro é o uso da trilha que, no bom linguajar popular, seria definido como “no talo”. O Sequestro do Metrô 1 2 3 transita entre o suspense e ação. Para o primeiro, Scott recorre a maneirismos da câmera; para o segundo, afunda o pé na trilha e na montagem. Precisa mostrar ao espectador que a cena é importante e os policiais correm contra o tempo? Então ponha um drum and bass no último volume, mostre apenas pedaços de cenas, fragmente a sequência, coloque a câmera em posições inusitadas e, voilá, temos um filme (ruim) de ação.

    O pior é que isso está dentro de um filme cujas outras camadas são compostas pelo exagero. Uma atuação exagerada, uma câmera exagerada, uma trilha exagerada e uma edição exagerada podem dar no que? Certamente, não em boa coisa.

    Até mesmo o talentoso roteirista Brian Helgeland (Sobre Meninos e Lobos) escorrega ao dar um final que não tem nada a ver com a postura de um dos protagonistas, Garber (Denzel Washington), o controlador do tráfego do metrô que tem de domar Ryder, ao longo da trama.

    O Sequestro do Metrô 1 2 3 é um filme fraco e repleto de obviedades. Um erro.