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    O SONHO DE CASSANDRA

    Por Celso Sabadin
    30/04/2008

    Morte. Medo. Culpa. Traição. Em O Sonho de Cassandra, Woody Allen novamente revisita alguns dos temas que ajudaram a fazer o sucesso de sua brilhante carreira. São assuntos que o cineasta já havia, em diferentes graus, abordado em filmes como Crimes e Pecados, Misterioso Assassinato em Manhattan, Hannah e Suas Irmãs e Match Point - Ponto Final, para citar alguns exemplos. Ele estaria então se tornando repetitivo? Nada disso. Aos 72 anos, Allen ainda mostra uma incrível capacidade de se renovar e de reinventar seu cinema a cada filme. Nesta sua terceira produção européia (depois de Match Point - Ponto Final e Scoop - O Grande Furo), ele investiga a culpa com profundidade e dor ao mostrar a história de uma família que se destrói justamente por causa de uma situação de lealdade familiar.

    Tudo ocorre em Londres, onde os irmãos Ian (Ewan McGregor) e Terry (Colin Farrell) vivem uma vida de falsas aparências. Ian usa belas roupas, carros emprestados e muito de seu charme britânico para ocultar uma situação financeira periclitante. Terry tem a capacidade de ganhar fortunas em jogos de azar, para perdê-las, em dobro, logo em seguida. É nesta situação de total instabilidade que surge o tio Howard (Tom Wilkinson), o herói da família, o único que deu certo e ficou milionário trabalhando nos EUA (mais precisamente na Califórnia, berço do cinema comercial que Allen tanto satirizou em Dirigindo no Escuro). A presença do querido milionário vindo da América como um pródigo Tio Patinhas poderia ser a solução de todos os problemas dos sobrinhos. Mas é exatamente aí que as maiores tragédias começam a se desenhar. Vale lembrar: na mitologia, Cassandra é a portadora de más notícias.

    Igual a Match Point - Ponto Final e diferente de Scoop - O Grande Furo, Allen segue a linha da sobriedade narrativa e aposta na investigação dos limites humanos. Quem prefere o cineasta satírico e divertido das grandes comédias talvez torça o nariz para O Sonho de Cassandra. Mas quem admira o Woody Allen compenetrado e bom contador de histórias tensas certamente sairá do cinema gratificado. E tenso, como nos grandes suspenses britânicos.

    Os ares europeus têm feito bem a Woody Allen.