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    O TEMPO QUE RESTA

    Por Angélica Bito
    25/08/2006

    Não há dúvidas: François Ozon é um dos melhores cineastas franceses de sua geração. Em sua nova produção, O Tempo Que Resta, o diretor volta a trabalhar com a dor solitária presente no magnífico Sob a Areia (2000).

    Mas, se no filme de 2000 a protagonista é abandonada, aqui quem abandona é Romain (Melvil Poupaud, de Os Amantes). Belo fotógrafo de moda bem-sucedido, ele descobre no auge de sua carreira que está com câncer. Ele se recusa a fazer quimioterapia e passa a tratar mal todos que estão ao seu redor, como o companheiro, os pais e a irmã. A única pessoa com que ele parece se dar bem é a avó (Jeanne Moreau). Afinal, como o próprio Romain diz, ela está tão perto da morte quanto ele. Cada vez mais sozinho, ele observa o mundo e o registra em sua câmera fotográfica digital como se ela fosse uma extensão de sua própria memória.

    O tema parece ser batido e poderia render um grande dramalhão, mas o tratamento que Ozon dá à história é fundamental para manter sua dignidade. Romain não tem atitudes clássicas de pessoas à beira da morte: não sai viajando o mundo, não tenta experimentar sensações novas, nem se desespera, por exemplo. E, mesmo assim, O Tempo Que Resta é capaz de emocionar o espectador de forma única e digna. A morte é encarada de frente tanto pelo protagonista como pelo diretor, tratando-a de igual para igual. Afinal, não estamos à beira da morte a partir do momento em que nascemos?

    O Tempo Que Resta é capaz de ser cruel e sensível ao mesmo tempo. Além disso, apresenta atuações belíssimas - destaque para o papel fundamental de Valeria Bruni Tedeschi, que volta a trabalhar com o diretor depois de O Amor Em 5 Tempos (2004). Beleza, inclusive, é o que não falta neste filme, presente tanto no rosto dos atores quanto na construção de cada cena, especialmente a final.

    Para os admiradores do cinema de François Ozon, O Tempo Que Resta tem tudo para agradar.