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    O TIGRE E A NEVE

    Por Angélica Bito
    25/05/2007

    É muito fácil definir que tipo de espectador deve ser seduzido por O Tigre e a Neve: aquele que gosta da comédia dramática característica de Roberto Benigni. Se você não faz parte deste grupo, nem se arrisque, pois o filme tem todos os elementos que fizeram com que o cineasta italiano se tornasse adorado (e detestado, talvez na mesma proporção), principalmente A Vida é Bela (1997), o mais aclamado em seu currículo. No entanto, falta a força do filme que deu o Oscar ao italiano.

    Os mesmos Benigni e Nicoletta Braschi do filme de dez anos atrás protagonizam O Tigre e a Neve. Ele é um professor de poesia que vive a sonhar (literalmente) com Vittoria (Nicoletta Braschi). Quando vai a uma palestra do amigo Fuad (Jean Reno), a encontra. Ela está escrevendo um livro sobre Fuad e viaja ao Iraque, sua terra natal, para fazer pesquisas. No entanto, ela sofre um acidente lá e fica em coma. Attilio embarca numa verdadeira missão maluca para conseguir entrar no país invadido por soldados norte-americanos e cuidar da mulher por quem está apaixonado.

    O que mais aproxima O Tigre e a Neve e A Vida é Bela está relacionado aos apuros cômicos nos quais os personagens de Benigni em ambos os filmes se metem numa situação de guerra. No filme de 1997 era a Segunda Guerra Mundial, agora ele traz a ação para Bagdá, tenso palco de invasão norte-americana. A diferença é que a produção que fez a fama do italiano em Hollywood ainda conta com uma criança e é preciso admitir que papéis infantis sempre ajudam qualquer cineasta a tocar o coração do espectador.

    Em O Tigre e a Neve, o protagonista encontra-se preso, literalmente, numa paixão aparentemente platônica. Num primeiro olhar, é até bonito esse desprendimento e a dedicação do personagem ao entrar numa jornada quase que suicida para amparar o objeto de seu desejo. Melhor ainda se você aprecia o tipo de humor de Benigni. Em meio a esse clima de insanidade construído pela figura do protagonista, o personagem de Jean Reno é o que dá uma estrutura mais realista à história.

    Apesar de O Tigre e a Neve lembrar bastante o filme que fez o nome do cineasta famoso, este novo longa não tem a força da produção citada. Por isso, tem menos elementos capazes de seduzir um grande público como aconteceu com A Vida é Bela.