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    O ÚLTIMO ATO

    Al Pacino se entrega ao explorar os dilemas de ator decadente
    Por Pedro Tritto
    31/03/2015

    Com personagens marcantes na carreira, como Michael Corleone (O Poderoso Chefão), Tony Montana (Scarface) e Frank Slade (Perfume De Mulher), Al Pacino traz em O Último Ato, do diretor Barry Levinson e baseado no livro A Humilhação, de Philip Roth, uma interpretação intensa na pele de Simon Axler, um ator renomado da Broadway, que vive uma decadência e, por isso, decide encerrar a carreira.

    Se com 74 anos Pacino não demonstra mais tanta agilidade nas cenas de ação, ele mostra que ainda está em plena forma quando é preciso explorar a deterioração psicológica e emocional de seu novo personagem, um artista que se encontra totalmente perdido na vida.

    Com uma trama minuciosa, o longa dá ao público a sensação de estar realmente assistindo a uma peça de teatro, com diálogos longos e um desenvolvimento profundo de seu protagonista. E isso é bom, pois, além de mostrar segurança da direção de Levinson, traz o espectador para mais perto dos problemas do personagem central. Logo de cara, na cena em que se machuca no teatro, o público já se sente envolvido com os problemas de Axler, que vão sendo apresentados aos poucos, justamente para evitar dispersão. Cada vez que a sessão de terapia do protagonista é mostrada, também percebe-se um amadurecimento do personagem na trama, o que permite o público entender melhor seus dilemas pessoais.

    A história acompanha um ator veterano da Broadway, que resolve abruptamente encerrar a carreira após sofrer um acidente enquanto encenava uma de suas peças. Querendo consertar sua vida pessoal, ele acaba reencontrando Peggen Stapleford (Greta Gerwig), jovem filha de uma antiga colega.

    O fato é que a bela moça sempre carregou uma paixonite por Axler, mas aos 16 anos decidiu assumir de vez que era lésbica. Ao perceber que o ator vive por uma fase solitária, ela resolve jogar tudo para o alto e decide ter um relacionamento caloroso com ele. No início, os dois embarcam com tudo no romance, mas, aos poucos, ambos percebem que a diferença de idade e de pensamento podem virar grandes problemas.

    De fato, o maior trunfo do longa é a atuação introspectiva de Pacino. No entanto, isso não quer dizer que outros membros do elenco não tenham se destacado. Pelo contrário. Greta Gerwig, por exemplo, também não decepciona com sua Pegeen. Manipuladora, a personagem apresenta um appeal não tão óbvio, que transmite a segurança necessária para que Axler consiga resgatar a energia para encarar seu momento atual.

    Aproveitando a mesma fórmula de Alejandro González Iñárritu em Birdman Ou A Inesperada Virtude Da Ignorância, que também fala sobre um ator decadente que quer resgatar o prestígio na carreira, O Último Ato conquista principalmente por causa do carisma e do talento de Al Pacino, que se demonstram intactos e que fazem com que a trama fique interessante até o fim. Na realidade, Pacino mostra que quem está decadente é Axler e não ele, pois vai fundo ao aprofundar os verdadeiros dilemas de um ator decadente que tenta sobreviver sem a visibilidade que tinha quando estava no auge.