cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    O VIGARISTA DO ANO

    Por Celso Sabadin
    14/09/2007

    Por que filmes sobre grandes golpes são tão fascinantes? Parece que há um lado extremamente sedutor em produções como Prenda-me se For Capaz, Onze Homens e um Segredo, Nove Rainhas ou qualquer outra que investigue até onde alguém pode chegar para enganar seu semelhante e, com isso, faturar muito dinheiro. Este fascínio pelo ato de ludibriar é um dos pontos mais explorados em O Vigarista do Ano, drama que conta a história real da inacreditável falcatrua que o escritor Clifford Irving (Richard Gere) armou no mercado editorial norte-americano, nos anos 70.

    Após ter um livro recusado por uma grande editora, Irving anuncia que o excêntrico milionário recluso Howard Hughes (retratado por Martin Scorsese em O Aviador) teria lhe escrito uma carta, de próprio punho, pedindo que ele o ajudasse a redigir suas memórias. Hughes mantinha-se longe da imprensa há décadas, envolto em clima de grande mistério sobre suas excentricidades, de maneira que um livro autobiográfico sobre ele, a esta altura dos acontecimentos, seria certamente um estrondoso best seller. Obviamente, tudo não passava de uma grande mentira que Irving jogou no ventilador, mas a editora mordeu a isca. A partir de então, o que se vê no filme são as incríveis peripécias que o escritor e seu assistente, Dick Suskind (Alfred Molina, de Chocolate, novamente ótimo) realizam para manter a farsa, escrever o suposto livro e tentar sair ilesos e milionários do golpe.

    O diretor sueco Lasse Hallström (de Gilbert Grape - O Aprendiz de Sonhador e Chocolate) se mostra totalmente à vontade nesta história americana e parece ter aprendido com louvor os elementos da narrativa comercial, sem deixar de lado sua veia artística. Da mesma forma que sabe envolver o espectador destilando doses precisas de tensão e suspense, Lasse também deixa a sua marca criativa em momentos marcantes, como o olhar inquisidor que uma simples fotografia de Hughes lança sobre o personagem principal, ou os delírios que passam a confundir criador com criatura, ficção com realidade.

    Junte a isso um eficiente e bem amarrado roteiro do praticamente estreante William Wheeler (a partir do livro escrito pelo próprio Clifford Irving), uma caprichada reconstituição de época (visual e sonora, com ótimas canções dos anos 70) e o sempre afiado carisma de Richard Gere para ter como resultado um filme que se saboreia com prazer e interesse da primeira á última cena.