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    OBSESSÃO

    Trama difusa e personagens fracos empobrecem filme
    Por Daniel Reininger
    01/10/2013

    Sexo, decadência e preconceito são os temas do novo filme de Lee Daniels. O diretor de Preciosa - Uma História De Esperança decidiu ir fundo no sujo e deprimente estilo cinematográfico conhecido como gótico sulista e, ao lado de grande elenco, cria um drama intenso, mas que sofre com personagens estereotipados e trama difusa.

    Baseado no romance homônimo de Pete Dexter, o longa acompanha a investigação de dois irmãos sobre o assassinato de um xerife na Flórida, em 1969. Ward (Matthew McConaughey) é um repórter de Miami que retorna à sua pequena cidade natal em busca de um possível erro judiciário, o qual pode condenar à morte um homem inocente. Seu irmão Jack (Zac Efron) é contratado como motorista, mas aos poucos se torna o protagonista.

    A razão para o interesse dos rapazes no caso é Charlotte Bless (Nicole Kidman), mulher de quarenta e poucos anos, sem perspectivas de vida e com fetiche por presidiários. Ela acaba apaixonada pelo condenado Hillary Van Wetter (John Cusack) e tenta provar sua inocência a todo custo.

    Daniels não é conhecido por sua sutileza na direção e parece ser a pessoa certa para se aventurar nesse gênero. No decorrer da trama, Ward e Jack entrevistam tipos estranhos e visitam pântanos perigosos – não só pelos animais selvagens do local. A fotografia é propositalmente suja, quase como se as melhorias técnicas dos últimos 40 anos não tivessem ocorrido. As cores e contrastes parecem amadores e a iluminação exagerada. Até a montagem lembra um longa de baixo orçamento e isso ajuda a criar o clima da produção.

    Forçando a mão para lembrar documentários dos anos 60, o filme começa com a doméstica da família, Anita (Macy Gray), narrando os fatos. Esse é o primeiro sinal de problemas, já que o recurso é desnecessário e mal utilizado. As coisas não demoram a desandar. Entre cenas de Zac Efron seminu e momentos grotescos, o enredo se perde pela má escolha da história central. O mistério inicial é deixado de lado e a narrativa se perde em tramas paralelas desnecessárias. Eventualmente, o foco muda por completo e passamos a acompanhar a obsessão sexual de Jack por Charlotte.

    Ao contrário de Preciosa, as atuações deixam bastante a desejar. Charlotte é, como outro personagem a descreve, "uma boneca Barbie super sexualizada" e não parece uma pessoal real. Cusack se limita ao estereótipo padrão da vilania do sul dos Estados Unidos e McConaughey, cujo arco poderia ser o mais interessante, fica de lado a maior parte do tempo; apenas gera simpatia quando se dá mal. A dinâmica mais convincente acontece entre Jack e Anita, embora a decisão de usá-la como narradora não tenha funcionado.

    Obsessão tem bons momentos, porém, deixa um gosto amargo na boca ao final da sessão. Embora o impacto visual seja inegável e temas espinhosos sejam tratados com naturalidade, o longa não funciona, ao menos não tão bem quanto Killer Joe - Matador De Aluguel - este sim, bom exemplo de como abordar a decadência sulista no cinema.