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    OBSESSÃO

    Por Daniel Reininger
    01/07/2019

    Um thriller clássico de perseguição. A vítima conhece seu futuro algoz. No início, a relação entre ambos (seja um namoro, amizade, casamento etc) é um mar de rosas, tudo se encaixa perfeitamente e ambos se dão maravilhosamente bem. Em um determinado momento, a vítima passa a se sentir sufocada e/ou descobre algo perigosamente perturbador sobre o algoz. Pronto: ao tentar se afastar, começa o jogo de gato e rato.

    Quem nunca assistiu a um filme com um roteiro exatamente igual ou ao menos similar?

    No mais recente longa de Neil Jordan (Entrevista Com O Vampiro), a narrativa se mostra, em sua essência, idêntica a tanta outras. Entretanto, é nas pequenas diferenças que ele joga por cima de uma fórmula já batida uma nova e interessante roupagem. O gênero, geralmente protagonizado por homens (especialmente no papel de antagonista), aqui ganha o protagonismo de duas mulheres de diferentes idades e personalidades.

    Greta (vivida pela sempre incrível Isabelle Huppert), uma solitária e reclusa mulher de meia idade, começa uma amizade aparentemente inocente com Frances (Chloë Grace Moretz), uma menina ingênua que acredita na bondade das pessoas e enxerga, na figura de Greta, uma figura maternal e acolhedora. Depois de uma descoberta perturbadora, a menina escuta os conselhos da melhor amiga Erica (Maika Monroe) e se afasta da nova companhia. Daí em diante, o padrão stalker movie se estabelece e assistimos a uma perseguição que é funcional no início, mas que perde parte considerável de sua força.

    Muito popular nos anos 80 e 90 como subgênero do suspense, o stalker movie caiu nas graças do público com facilidade. Nesses filmes podemos esperar suspense, alguns elementos típicos do horror e, por que não, do trash e do gore de vez em quando. Distante das telonas após fazer verdadeiras obras-primas, o irlandês Neil Jordan nos oferece no primeiro ato de Greta a apresentação das personagens, uma relação amigável rápida entre as mesmas e já introduz, sem mais delongas, a força motriz do longa: a perseguição. Os avanços de Greta são críveis e vão perturbando o espectador de maneira orgânica e gradativa, sem utilização desnecessária da violência física e sim da pressão psicológica. O talento sem precedentes de Huppert e sua química com Moretz consegue dar vitalidade a uma fórmula extremamente passada.

    No entanto, na segunda metade do longa, o filme começa a perder a força e deixar de nos cativar enquanto vagueia por elementos aleatoriamente inseridos  na trama. A violência fica caricatural e os embates também passam a ficar um bocado sem graça. Com a inserção de personagens rasos em determinadas cenas, a perseguição fica um pouco de lado e subtramas porcamente trabalhadas ganham mais espaço. O gore mais pro fim do filme é ineficiente, bem como os jumpscares. Uma tentativa um tanto fracassada de brincar com elementos do horror.

    A melhor parte do longa é, sem dúvidas, o elenco. Já conhecemos muito bem o talento de Isabelle Huppert (seu trabalho em Elle é magnífico) e aqui, ela nos entrega uma vilã incrível. Doce e maternal, ela guarda em pequenos gestos e olhares suas intenções escusas e doentias. Quando a personagem explode, é sempre uma surpresa (elemento que é muito bem-vindo num thriller se perseguição). Já Chloe interpreta bem toda a timidez, insegurança e ingenuidade de sua personagem, mas nada que já não tenhamos visto centenas de vezes em filmes do gênero.

    Mesmo com deslizes consideráveis, Greta é mais uma boa oportunidade para prestigiar o trabalho de Huppert e curtir um thriller de perseguição sem grandes expectativas e comprometimento.