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    OLDBOY: DIAS DE VINGANÇA

    Nostalgia de Spike Lee pelo original acaba com remake
    Por Daniel Reininger
    04/06/2014

    Remake estéril do filme de Park Chan-wook, OldBoy, de Spike Lee, falha ao tentar imitar a ótima produção de 2004. O resultado é uma bagunça repleta de referências ao original e incapaz de dar vida nova a esse conto de vingança sombrio. Independente da qualidade do filme sul-coreano, o novo peca ao tentar recriar situações de forma literal e impondo moralidades ocidentais nem sempre compatíveis com a trama.

    Lee poderia ter utilizado o mangá japonês de Garon Tsuchiya e Nobuaki Minegishi como fonte de inspiração, porém preferiu focar apenas no longa de Chan-wook – grande erro. Para quem não conhece OldBoy, a história base não varia muito e o que acontece na nova versão é o seguinte: O executivo Joe acorda preso em um pequeno quarto com uma televisão como única companhia. Ele vive entre a loucura e a autopiedade, até que resolve se vingar. Depois de 20 anos, ele é liberado e precisa descobrir quem o prendeu e por quê.

    Brolin é simpático e faz bom trabalho na maior parte do tempo, porém em determinadas situações ele parece não entender o personagem. O protagonista é desagradável no começo e faz a punição parecer justa. Quando é libertado, Joe é basicamente o mesmo homem, apenas mais violento. Assim, se perde a questão principal: destruição do ser humano de forma gradativa e sem propósito. Como consequência, a questão central passa a ser sobrevivência e, eventualmente, redenção, discurso mais próximo a Naufrago do que a Oldboy.

    Outro problema são os elementos orientais perdidos na história ocidentalizada. A nostalgia de Spike Lee pelo original é única razão para o remake manter a comida chinesa no cativeiro, recriar lutas estilizadas contra inúmeros oponentes, apresentar uma vilã especialista em artes marciais com visual exótico.

    Mesmo assim, quem não conhece o original pode não se incomodar. A narrativa causa choque em diversos momentos, como esperado e a história é boa. Elizabeth Olsen está muito bem no papel de Marie Sebastian, garota problema que procura redenção como enfermeira e sente prazer em ajudar almas perdidas. Samuel L. Jackson, como habitual, está ótimo no papel de um personagem falastrão.

    Os bons pontos são obscurecidos de vez no final, quando o vilão, interpretado de forma exagerada por Sharlto Copley, revela motivações que fogem da proporção. Isso não funciona no remake pelo tom melodramático, mas também vai de encontro com original, no qual o discurso é de que pequenas escolhas podem causar impactos imensos, por isso, tudo é mais sutil e credível. As coisas ficam ainda piores quando Lee tenta dar sentido a algo que, por definição, não possui nenhum. No final, OldBoy perde suas principais características e transforma esse remake em uma sombra dispensável.