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    OLHO DE BOI

    Por Celso Sabadin
    15/08/2008

    Não leia sinopses nem críticas de Olho de Boi antes de assisti-lo. Simplesmente entre no cinema (quanto mais escura for a sala, melhor), escolha uma poltrona confortável e se deixe levar pelo clima intrigante e envolvente proposto pelo filme.

    Os primeiros belíssimos minutos não dizem sobre o que é a história. Nada disso.
    Mostra apenas dois homens cavalgando sob uma chuva torrencial numa noite mais escura que os sentimentos que os guiam. Eles buscam guarida numa igreja abandonada, caindo aos pedaços como a própria fé. A fotografia é belíssima e nos remete diretamente à escuridão do nada, com tênues raios de Lua aqui e ali filtrando minimamente o breu da noite.

    Aos poucos, no ritmo rural que comanda a ação dos protagonistas, ficamos sabendo que os homens são Modesto (Genézio de Barros) e seu afilhado Cirineu (Gustavo Machado). Há uma forte dose de tensão entre ambos, que começam a disparar entre si diálogos ácidos e simbólicos. "Não há traição entre inimigos", diz Modesto. "Para haver
    traição, é preciso que exista amizade; a traição é a morte que humilha", conclui.

    E traição será exatamente a base de toda a obra. Melhor não dizer mais nada, mesmo porque o filme é curto em seus 80 enxutos minutos. Há inegavelmente um tempero de teatro e uma pitada de tragédia grega, mas tudo muito bem embalado e entregue pela magnífica direção de Hermano Penna, com o bem-vindo auxílio da trilha sonora das cordas do Duofel.

    Os créditos finais informam que tudo foi rodado na região de Itu, interior de São
    Paulo. Não importa. Olho de Boi é um filme que acontece no fundo da alma humana. Para o bem e para o mal.