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    ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA?

    Por Sérgio Alpendre
    27/06/2008

    Por onde andava Guilherme de Almeida Prado? Estava meio sumido o importante diretor brasileiro que havia encantado muitos cinéfilos e críticos com A Flor do Desejo, o filme mais "resnaisiano" (sim, à Alain Resnais, o autor de O Ano Passado em Marienbad, um dos pioneiros na fragmentação da trama em respeito à memória humana, sujeita a flashbacks constantes). Desde o infeliz A Hora Mágica que o diretor estava num ostracismo involuntário, até ganhar um prêmio de roteiro em Sundance para desenvolver a trama de Onde Andará Dulce Veiga?, baseado na obra de Caio Fernando Abreu. Com uma irregularidade até saudável - pois é bem difícil sabermos como será o próximo plano, as próximas ações ou os trejeitos dos personagens -, o filme se insinua como um sopro de criatividade dentro do panorama da mesmice do cinema brasileiro.

    Com um início que nos joga dentro de uma torrente de descontrole e catatonia, com imagens animadas surgindo em back-projection - como no filme Brehmen Freheit, de Fassbinder (filme feito para a TV alemã em 1972) -, Onde Andará Dulce Veiga? logo se desenvolve no sentido de uma trama que, apesar de trazer consigo a marca de um onirismo sempre caro aos filmes do diretor, traz também um forte laço com um realismo urbano e misterioso.

    Um jornalista (Eriberto Leão) investiga o misterioso paradeiro de Dulce Veiga (Maitê Proença), atriz e cantora de muito sucesso na década de 60. Ele conhece a filha dela, uma cantora de rock-and-roll abusada, interpretada por Carolina Dieckman (que veste um figurino bem ousado e sensual). Desnecessário dizer que sua vida quase vira pelo avesso durante a procura.

    Existem muitos momentos que beiram o constrangedor e enfraquecem o filme. Mas é notável ver algo que se abre a todas as possibilidades de ridículo, sai ileso e termina com uma homenagem a Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), clássico musical de Jacques Demy (Pele de Asno).

    Ao experimentar uma interessante mistura de gêneros, Almeida Prado quebra o mandamento atual das produções norteadas pela programação de TV e realiza uma obra cheia de pontas soltas, meandros que exigem um pouco mais de atenção do espectador, sob o risco de perder o fio da meada. Um sopro de inventividade, mesmo que irregular, é sempre bem-vindo.