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    OPERAÇÃO BIG HERO

    Animação é boa mistura entre Disney e Marvel
    Por Daniel Reininger
    17/12/2014

    Nova animação da Disney, Operação Big Hero é a primeira obra do estúdio de Mickey a adaptar quadrinhos da Marvel. Se você nunca ouviu falar desses personagens, não se preocupe, eles tiveram vida curta nos anos 90 e foram lançados, principalmente, para o mercado japonês. Foi exatamente essa obscuridade que fez a produtora escolher essa franquia, afinal seria a oportunidade perfeita para criar algo novo a partir de propriedade intelectual da Casa das Ideias, sem interferir com os medalhões da companhia. O resultado é um filme muito bem trabalhado, divertido e com muita ação.

    O longa acompanha Hiro Hamada, jovem prodígio da robótica, e seu companheiro Baymax. Quando descobrem uma conspiração criminosa para roubar uma tecnologia inovadora, reúnem uma equipe de gênios para salvar San Fransokyo. Esse grupo inclui a rebelde GoGo Tamago, o cuidadoso Wasabi, a especialista em química Honey Lemon e o excêntrico Fred.

    Como há coisas demais acontecendo na trama, não sobra muito espaço para desenvolver todos os membros da equipe como mereciam. Os companheiros de Hiro e Baymax nunca vão além dos arquétipos básicos e, embora o roteiro tente criar empatia pela forma como se importam com Hiro, nunca chega a fazer com que os espectadores se importem com todos eles, como acontece em Os Incríveis, por exemplo. É uma oportunidade perdida, verdade, entretanto o roteiro está mais preocupado em desenvolver a relação da dupla de protagonistas e faz isso muito bem.

    Baymax é um robô único. Seu exterior, inspirado em tecnologias reais, é composto de vinil – o que lhe proporciona visual de marshmallow gigante. Extremamente dócil e inocente, o personagem alterna momentos paternos, quando tenta cuidar de Hiro, e infantis, quando luta para entender o mundo onde vive. A cena em que Hiro transforma seu amigo numa versão para crianças de Homem de Ferro é um dos pontos altos do longa e serve para fortalecer a relação da dupla.

    O robô é a principal ferramenta dos diretores para manter bom equilíbrio entre comédia, ação e momentos dramáticos. Baymax é poderoso, mas é constantemente utilizado para proporcionar leveza até mesmo nas situações mais sombrias ou tensas da narrativa. Mesmo as principais sequências de ação – como a perseguição de tirar o fôlego pelas ruas vibrantes de San Fransokyo – possuem humor e leveza suficientes para manter as coisas amigáveis para os mais jovens, sem deixar nada a desejar aos filmes de super-heróis atuais.

    Visualmente, o longa é muito bem feito. As cenas de ação funcionam, a aparência dos heróis e vilão é criativa e os efeitos de luz, sombra e reflexos evidenciam grande trabalho técnico da equipe de produção. A fantástica cidade onde a aventura é ambientada mistura São Francisco e Tóquio, tudo para manter o clima da obra original, criada para o mercado japonês, e ser facilmente reconhecível por crianças do mundo todo. Com clima levemente Cyberpunk, o cenário é complemente perfeito para a atmosfera da produção.

    Com tantos elementos interessantes, é curioso que a história de Operação Big Hero não assuma riscos maiores. Com lições de moral positivistas, como é comum em obras do estúdio, e revelações previsíveis, a trama poderia ir além para fazer dessa animação algo ainda mais impactante, como acontece com Wall-E, por exemplo.

    Mas é a relação hilária entre Baymax e Hiro que conduz a história e é mérito dos diretores Don Hall e Chris Williams que esse fio condutor consiga ser, de fato, inspirador. Além disso, o longa é diversão garantida para pequenos, jovens, pais e fãs de quadrinhos de todas as idades, algo que poucas animações podem se orgulhar de atingir.