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    ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS

    Bom elenco ajuda filme a divertir do começo ao fim
    Por Daniel Reininger
    24/02/2016

    Em 1813, quando Jane Austen escreveu seu icônico romance Orgulho e Preconceito, provavelmente não imaginou que 200 anos depois zumbis fariam parte da trama. Essa adição tinha tudo para não fazer o menor sentido, tanto que o livro paródia de Seth Grahame-Smith é bem fraco, mas, contra toda a lógica, o longa funciona, graças a um universo fantasioso e criativo montado ao redor dos interessantes personagens principais, que ainda possuem preocupações da aristocracia, enquanto enfrentam uma epidemia de mortos vivos que ameaça destruir o estilo de vida inglês.

    A produção equilibra bem a comédia, ação e drama. O começo assusta, afinal, algumas cenas dão a entender que estamos diante de outra produção medíocre como Abraham Lincoln: Caçador De Vampiros, porém, logo o filme engata e consegue um bom balanço. Na trama, uma praga assola a Inglaterra e os aristocratas vivem em residências fortificadas. Todos os membros das tradicionais famílias são treinados nas artes orientais de luta, os mais ricos vão para o Japão, os menos abastados para a China.

    Nesse contexto, as irmãs Bennet, Elizabeth (Lily James), Jane (Bella Heathcoate), Kitty (Suki Waterhouse), Lydia (Ellie Bamber) e Mary (Millie Brady), se preocupam com quem vão casar e como será seu futuro, mas também são guerreiras bem treinadas capazes de enfrentar qualquer invasão de mortos-vivos. Só que elas aprenderam a lutar na China, por opção de seu pai, que considera as artes do país mais adequadas para a situação – só isso já as separa de seus colegas nobres, especialmente aos olhos do crítico Sr. Darcy (Sam Riley).

    Como esperado, Orgulho E Preconceito E Zumbis segue a estrutura do enredo de Orgulho e Preconceito. Jane e Elizabeth precisam de maridos ricos não só para garantir seu futuro, mas também para terem apoio contra os mortos-vivos, que se mostram cada vez mais inteligentes. A relação de Sr. Darcy com Sr. Wickham (Jack Huston) ganha novos contornos, que funciona bem na narrativa do longa. Só que o longa poderia ter tirado melhor proveito da questão das diferenças entre as classes sociais, tão importante no livro de Austen, e tão pouco abordada no longa.

    Para compensar, o tom moderno ajuda bastante a produção. Elizabeth Bennet já era uma mulher moderna para os padrões de 1800 e aqui se destaca ainda mais como heroína de extrema inteligência, que ainda domina as artes marciais. Sua história de amor com o Sr. Darcy segue padrões familiares, mas é crível - particularmente no mundo fantasioso de Orgulho e Preconceito e Zumbis, afinal, os dois são atraídos pelas suas habilidades como guerreiros e também por suas mentes afiadas.

    O grande trunfo da produção é seu elenco, realmente compromissado em fazer a obra funcionar tanto pelo lado cômico como pela ação e drama. Sem eles, esse mundo de fantasia iria ruir rapidamente. Lily James, Sam Riley, Bella Heathcoate, Jack Huston, Douglas Booth e Matt Smith se superam e conseguem dar credibilidade ao mundo bizarro em que vivem.

    Mesmo quando o roteiro e a montagem atrapalham, as performances sólidas desses atores carismáticos sustentam o filme até o fim. Sem falar que Smith (famoso por viver o décimo primeiro Dr. Who) rouba a cena como Sr. Collins, de longe o personagem mais engraçado da obra.

    O longa também poderia trabalhar melhor a interação das cenas de zumbis e de drama nos dois primeiros atos. Funcionam bem separadas, mas esses dois lados do filme só são integrados 100% no final, quando o conflito com os mortos se torna central para o arco de Elizabeth e Darcy. Essa é uma falha significativa de roteiro e direção, que caso evitada, poderia deixar o longa ainda mais interessante desde o começo.

    Apesar dessa dificuldade, Orgulho e Preconceito e Zombies é tão divertido quanto parece. O elenco ajuda muito e mesmo quando a direção tropeça, os personagens seguram a onda. Além disso, os zumbis são diferentes daqueles com os quais estamos acostumados e isso garante alguns momentos interessantes ao longo de toda narrativa, apesar dos sustos serem raros. No final das contas, vale a pena juntar os amigos, comprar pipoca e curtir essa inusitada aventura apocalíptica no século XIX.