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    OS 12 TRABALHOS

    Por Celso Sabadin
    09/03/2007

    Em seu primeiro longa-metragem, De Passagem, o cineasta Ricardo Elias mergulhou na urbanidade paulistana realizando um verdadeiro road movie dentro de uma única cidade. Agora, com Os 12 Trabalhos, ele continua fazendo de São Paulo o seu universo cinematográfico, desta vez, por meio do ponto de vista de um dos personagens mais representativos da capital paulista: o motoboy.

    Livremente baseado na história mitológica dos 12 trabalhos de Hércules, Elias conta a trajetória de Heracles (o bom estreante Sidney Santiago), um rapaz da periferia que tenta reconstruir sua vida como motoboy após sair da Febem. Com a ajuda do primo Jonas (Flávio Bauraqui, ótimo), Heracles consegue uma chance numa empresa de entregas, mas, se quiser se firmar no novo emprego, terá de correr muito para efetivar os tais 12 trabalhos do título. E na cidade grande, tudo acontece.

    Mesmo sendo ficção, o filme tem um pé (ou seria uma roda?) no documental, já que grande parte das imagens foi captada pelas ruas e avenidas movimentadas de São Paulo, com seu característico tráfego intenso e com câmera na mão, recurso utilizado para traduzir o "espírito" da cidade. A naturalidade e a desenvoltura de todo o elenco também são pontos fundamentais para empresar ao filme um ar realista que envolve o espectador, colocando-o lado a lado a Heracles em sua inglória jornada urbana.

    Outro aspecto positivo é que o diretor não cai nas fáceis armadilhas sociológicas e politicamente corretas que o tema poderia render. Não há, na leitura de Elias, os tradicionais e novelescos duelos entre "periferia coitadinha" e "burguesia malvada". Sem assistencialismos nem pieguice; Os 12 Trabalhos apenas mostra, documenta, envolve, emociona e não passa lições de moral. É cru (no bom sentido da palavra) ao retratar uma realidade igualmente crua e registra um bem-vindo amadurecimento cinematográfico do diretor neste segundo longa.