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    OS 3

    Mesmo estereotipado, trio de protagonistas é cativante e leva espectador a compactuar com suas realidades
    Por Roberto Guerra
    08/11/2011

    A vida ficcional é muito mais difícil de ser vivida do que a vida real. É o que descobrem os personagens de Os 3, longa de estreia de Nando Olival que avança por terreno pouco explorado pelo cinema nacional: o universo jovem. Por meio da história dos amigos Camila, Rafael e Cazé (os novatos Juliana Schalch, Victor Mendes e Gabriel Godoy) o filme se propõe a fazer uma crítica à sociedade de consumo e aos famigerados reality shows, ao passo que explora as relações amorosas contemporâneas pela ótica de seus três jovens protagonistas.

    No longa, a personificação da juventude recai em modelos tipificados e estereotipados. Faltou a Olival preencher seus personagens com detalhes, nuances originais, singularidades que lhes dessem mais realismo, ajudando a quebrar a roupagem pronta com que são apresentados ao público. Ainda assim, Os 3 carrega uma estética sedutora, moderna e fácil de consumir.

    O trio de protagonistas se conhece de maneira incomum e, imediatamente, forma um vínculo forte entre si. Os amigos alugam um apartamento e, de tão próximos, passam a ser conhecidos como “Os 3″. Vivem quatro anos imersos nessa amizade, mas com o fim da faculdade, e tendo de seguir cada um seu caminho, aceitam transformar o apartamento em que moram num cenário de reality show, onde tudo está à venda e eles são os personagens. Os problemas surgem quando o programa começa a ser ameaçado pela empresa que os patrocina por falta de audiência – a vida real não é atraente o bastante. Vendo a iminente diluição do projeto, os personagens articulam um plano que os fará interpretar a si mesmos, atuando dentro de suas próprias vidas.

    O trabalho de Olival tem seus méritos. Mesmo que estereotipado, o trio de protagonistas é cativante e natural, levando o espectador a compactuar com suas realidades. Tecnicamente caprichado, o longa tem bom trabalho de câmera, fotografia e direção de arte precisa e detalhista. O somatório desses valores resulta em experiência de cinema essencialmente agradável e, apesar de não se aprofundar muito nos temas que aborda, tem densidade suficiente para levar o público à reflexão.

    O problema é que, por vezes, esta reflexão é interrompida – principalmente na metade final do filme – por um didatismo desnecessário, que tenta explicar, quase sempre de modo verbalizado, o que as cenas já dizem ou supõem. Olival parece não ter confiado muito no poder de suas imagens, mas ainda assim leva às telas um filme que merece ser conferido.