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    OS 33

    História poderosa ganha adaptação descuidada
    Por Daniel Reininger
    29/10/2015

    Cinco anos atrás, o mundo acompanhou de perto o drama de 33 mineiros presos por 69 dias após um desmoronamento na Mina de San Jose, Chile. Transmitido em tempo real, o inspirador resgate, algo jamais feito antes, trouxe de volta a fé na humanidade, a história virou livro, de Hector Tobar, e agora o livro vira filme para mostrar, de forma dramática, os esforços no subterrâneo e na superfície para trazer esses homens de volta às suas famílias.

    A história é poderosa e faz sentido ganhar uma adaptação, o problema dessa produção é a forma como os personagens são mal construídos. Com isso, o drama real se perde a obra se torna algo de pouco impacto, ainda mais se comparado ao ficcional Perdido Em Marte, outro filme de sobrevivência e resgate capaz de empolgar e emocionar de verdade.

    As dificuldades começam logo na primeira cena, quando a diretora Patricia Riggen (Sob A Mesma Lua) tenta apresentar os mineiros de forma apressada durante uma festa, de qualquer jeito, repleto de clichês e marcando as personalidades dos mineiros por apenas uma característica: Temos Edison Pena, imitador de Elvis, Yonni Barrios, que está no meio de um triângulo amoroso, Dario Segovia, um viciado que está afastado da irmã mais velha, Maria (Juliette Binoche), e Carlos Mamani, recém-chegado boliviano que atrai a suspeita do grupo.

    Quando a mina de 121 anos de idade entra em colapso e prende os 33 no subterrâneo profundo, Mario Sepulveda (Antonio Banderas), também conhecido como Super Mario, se torna o líder e mantém todos com a cabeça no lugar. O principal momento de tensão é esse, isolados, com comida para três dias e com a mineradora os dando como mortos. Cabe a eles se agarrarem às esperanças e a Laurence Golborne (Rodrigo Santoro), ministro das Minas, agir para convencer o governo a realizar um salvamento inédito.

    A tensão até aí é real, verdadeira e é possível relevar o pouco desenvolvimento pessoal de cada personagem até então, mas quando o contato com os 33 é feito e o plano de resgate traçado, o filme perde todo o impacto, e se torna tão maçante que poderia, facilmente, ser encerrado com rapidez – infelizmente, ele ainda se arrasta por longos minutos.

    Talvez a maior decepção seja a produção tratar apenas das questões conhecidas por todos, situações vistas na mídia na época. Falta aprofundar detalhes obscuros da situação e levantar questões sérias sobre a negligência da empresa de mineração ou a forma como o governo usa o caso como forma de propaganda. A própria comunidade criada em volta da mina, conhecido como Acampamento Esperança, é mostrada de forma superficial e nunca percebemos a dimensão daquele lugar ou as tensões do dia a dia que assolariam uma cidade improvisada no meio do deserto.

    Além disso, as atuações anão ajudam. Apesar de ser importante para resultados comerciais globais reunir um elenco internacional falando inglês, mesmo em um ambiente que deveria ser totalmente chileno, os atores são incapazes de suavizar o problema. Binoche, por exemplo, é uma grande atriz, mas não funciona no papel da vendera das melhores empanadas da região. O mesmo vale para Gabriel Byrne, que finge ser um engenheiro chileno da melhor maneira que pode. Já Banderas exagera como Super Mario, transformando o homem considerado o herói entre os mineiros num personagem chato e desgastante. Ao menos, Santoro faz o personagem mais interessante da trama e entrega uma das melhores atuações da produção.

    Reviver a saga dos 33 mineiros chilenos na telona não é nem de perto tão interessante ou tocante quanto ter acompanhado a situação real na época. E não necessariamente porque o público sabe o final, mas porque o filme não apresenta nada novo, não investe em seus personagens e trata do assunto de forma descuidada.