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    Os 7 de Chicago é um filme impactante mesmo 50 anos após os eventos reais

    Longa recebeu diversas indicações ao Oscar 2021
    Por Daniel Reininger
    27/03/2021 - Atualizado há 25 dias

    O julgamento dos Sete de Chicago foi um momento histórico dos EUA com enorme potencial cinematográfico por retratar uma verdadeira luta de Davi contra Golias, ao mostrar um grupo de jovens acusados de um crime que não cometeram para servir de exemplo contra manifestações no país.

    Aaron Sorkin (A Grande Jogada), diretor e roteirista do longa, cria uma abordagem capaz de amarrar diversas tramas e criar uma história envolvente, que vai muito além de um drama de tribunal, e também serve como crítica contundente ao nosso momento atual como sociedade, ao analisar um dos momentos mais vergonhosos da opressão do sistema contra os indivíduos.

    Na trama histórica, depois que vários ativistas antiguerra e da contracultura invadirem a cidade de Chicago durante a Convenção Democrática de 1968 para fazer manifestação contra a Guerra do Vietnã, revoltas e confrontos com a polícia de Chicago atordoaram o país. 

    Meses depois, o procurador-geral do recém-eleito do presidente Nixon, John Mitchell, decidiu acusar vários dos envolvidos - entre eles Tom Hayden (Eddie Redmayne), Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen) e David Dellinger (John Caroll Lynch) de conspiração. A justificativa legal era tênue, mas o julgamento aconteceu para enviar uma mensagem aos opositores.

    O julgamento durou vários meses, de abril de 1969 a fevereiro de 1970 e traz muitas informações sobre o caso e o momento político dos EUA. Sorkin, por sua vez, consegue navegar por um mar de informações sem deixar o espectador confuso. Após apresentar os personagens principais, o filme usa o julgamento como a estrutura e faz uso de flashbacks e diálogos para elucidar situações do passado, ​muitas vezes através de perspectivas muito diferentes.

    Com diálogos inteligentes e elenco capaz de entregá-los com extrema qualidade, o filme se beneficia de atuações de alto nível, com muita emoção e capazes de nos gerar empatia. O mais interessante é como os protagonistas conseguem incorporar as variantes ideológicas dentro do  movimento antiguerra, do antissistema ao revolucionário.

    Enquanto isso, o sistema de justiça também tem suas diferenças, com Mark Rylance fazendo um papel inspirado como o advogado de defesa William Kunstler e o juiz Julius Hoffman (Frank Langella). Rylance gera empatia como um homem que tenta desesperadamente provar que a justiça é possível mesmo quando as chances estão contra você. 

    Já Langella representa a força contrária, no papel de um tirano dedicado a punir qualquer pessoa que não pena como ele. É tudo muito bizarro, mas ainda por saber que é bastante realista em relação a como as coisas realmente aconteceram.

    O elenco todo é incrível e inspirado, parece que todos se dedicaram ao máximo para trazer essa história às telas. Não vou citar um por um, mas é preciso deixar claro que esse é um filme de belas atuações.

    Além do roteiro e elenco, o filme traz uma bela fotografia, que faz uso inteligente do jogo de luz para causar máximo impacto, e da trilha sonora, capaz de ampliar as emoções de cada cena, mas sem exageros.

    Os 7 de Chicago é um filme impactante, uma crítica social relevante um filme atual, mesmo ao representar eventos de 50 anos atrás. E não só isso, é uma obra de extrema qualidade técnica e com direção firme. Quem gosta de tramas de tribunal e eventos históricos, tem um prato cheio com essa produção da Netflix.