OS 8 ODIADOS

OS 8 ODIADOS

(The Hateful Eight)

2015 , 182 MIN.

Gênero: Faroeste

Estréia: 07/01/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Quentin Tarantino

    Equipe técnica

    Roteiro: Quentin Tarantino

    Produção: Richard N. Gladstein, Shannon McIntosh, Stacey Sher

    Fotografia: Robert Richardson

    Trilha Sonora: Ennio Morricone

    Estúdio: Columbia Pictures, The Weinstein Company

    Montador: Fred Raskin

    Distribuidora: Diamond Filmes

    Elenco

    Belinda Owino, Bruce Del Castillo, Bruce Dern, Channing Tatum, Craig Stark, Dana Gourrier, Demián Bichir, Gene Jones, James Parks, Jennifer Jason Leigh, Keith Jefferson, Kurt Russell, Lee Horsley, Michael Madsen, Samuel L. Jackson, Tim Roth, Walton Goggins, Zoe Bell

  • Crítica

    05/01/2016 15h16

    Por Daniel Reininger

    Os 8 Odiados, oitavo filme de Quentin Tarantino (Django Livre), é uma mistura de faroeste e suspense repleto de humor negro, só para variar. Personagens fortes e bem desenvolvidos, ótima ambientação e fotografia inspirada fazem desse um dos filmes mais maduros do cineasta. Entretanto, as três horas de duração e ritmo lento da narrativa podem se mostrar desafiadores para boa parte dos espectadores.

    Ambientado praticamente todo em uma única sala, o Armazém da Minnie, a trama acompanha oito estranhos, com intenções desconhecidas, isolados devido a uma nevasca. Tudo começa com dois caçadores de recompensa - Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e John Ruth (Kurt Russell), que acabam compartilhando uma carruagem enquanto Ruth escolta a prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) para a cidade de Red Rock, onde ela será enforcada por assassinato.

    Conforme a nevasca piora, eles procuram abrigo na estalagem citada acima, a única opção na estrada onde se encontram, e lá conhecem os outros homens da trama. A tensão cresce a cada conversa e a desconfiança toma conta do local. As semelhanças com Cães De Aluguel, do próprio Tarantino, e O Enigma De Outro Mundo (The Thing), de John Carpenter, não são meras coincidências, afinal o primeiro faz parte das referências à própria filmografia usadas pelo diretor e o segundo é uma das influencias para o filme, segundo o cineasta.

    O interessante é que não existe um herói claro em Os 8 Odiados. Não temos um mocinho nem alguém com senso de moral óbvio para o público se identificar facilmente – todos são inescrupulosos e, de alguma forma, vilões. Fã dos faroestes dos anos 60 da TV, cujos episódios mostravam convidados especiais com passados obscuros de forma que era impossível saber quem era quem até o final, Tarantino estende esse aspecto a todos os personagens da obra e cria um bando de personagens questionáveis.

    Desde Kill Bill, o diretor se preocupa demais com os diálogos a fim de criar algo poético e teatral. Até por isso, não é fácil encontrar atores capazes de encarar seus textos da maneira correta. E novamente o diretor acerta no elenco, com velhos conhecidos, como Tim Roth e Jackson, e alguns novos nomes, como Jennifer Jason Leigh, ótima no papel da feroz e badass Daisy Domergue. A atuação deve colocar a atriz como uma das favoritas ao Oscar 2016. A verdade é que todo o elenco entrega ótimas atuações e os personagens se completam bem.

    Para quem estranha um faroeste ambientado em apenas uma sala, vale lembrar que os filmes do gênero nem sempre envolviam mocinhos, bandidos e tiroteios em cidades de fronteira. Além disso, as produções das décadas de 50 a 70 estavam repletas de mensagens políticas, algo que Tarantino faz com Os 8 Odiados. O tema principal são as relações raciais nos Estados Unidos pós-guerra civil, sem deixar de explorar questões bastante contemporâneas.

    Único personagem negro, Warren (Jackson) é um veterano da Guerra Civil que carrega uma carta de Abraham Lincoln, seu amigo, no bolso como forma de status. Ele é durão e centro das tensões iniciais, afinal a maioria dos outros personagens são racistas ou veteranos do exército confederado, que defendia a escravidão nos EUA. Quando Warren começa a desconfiar das atitudes das outras pessoas presas com ele, passa a investigá-los e o racismo se torna cada vez mais central para a trama.

    Apesar das questões raciais e do suspense, o humor característico de Tarantino está presente. Além disso, tecnicamente o longa é impecável. A inspirada fotografia de Robert Richardson captura belas paisagens nevadas do Velho Oeste ao mesmo tempo em que capta cada detalhe do Armazém da Minnie, sempre filmado de ângulos diferentes. É interessante como todos (ou a maioria) dos personagens procuram estar posicionados no campo de visão, independente do foco da ação. Infelizmente, não pudemos assistir a versão em 70mm, um dos principais atrativos da obra, mesmo assim, a cópia digital já impressiona.

    A trilha tensa e assustadora de Ennio Morricone, compositor que Tarantino admite ser seu favorito, garante a atmosfera necessária, afinal, ele é um dos maiores compositores para filmes de faroeste. Essa é a primeira vez que o cineasta trabalha com trilha original e a parceria funcionou bem. O músico criou diversas faixas a partir da história e Quentin as usou da mesma forma como fez em produções anteriores: dividiu a trilha completa ao longo da obra conforme achou relevante, sem influenciar o compositor ou pedir mudanças.

    Evolução em relação a Django LivreOs 8 Odiados é uma obra interessante, repleta de humor negro e com uma intensa história. Tarantino trata as relações raciais e da natureza humana de forma brutal e a violência inevitável faz extremo sentido com tudo que vemos ao longo da narrativa. Entretanto, o exagero de referências à filmografia do próprio diretor são elementos desnecessários e podem tirar a surpresa de diversos momentos-chave da produção, especialmente para quem conhece bem filmes como Cães De Aluguel ou Pulp Fiction - Tempo De Violência.

    Entretanto, como falado no início dessa crítica, as 3 horas de filme repletas de diálogos intensos se mostram o maior desafio para o espectador, então vale tomar um belo café antes de ir ao cinema, mas o importante é conferir essa ótima produção nas telonas.



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