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    OS AMORES IMAGINÁRIOS

    Plástico, falso e vazio: assim é o segundo filme de Xavier Dolan como diretor<br />
    Por Heitor Augusto
    15/11/2011

    Em 2009, chegou a Cannes um rapaz de 19 anos para apresentar um longa-metragem que tinha escrito aos 17. Xavier Dolan e seu filme Eu Matei Minha Mãe saíram do festival francês com três prêmios e o canadense ganhou status de pequeno gênio do cinema.

    Classificação fajuta se olharmos para seu segundo longa-metragem, Os Amores Imaginários. Disfarçado de ensaio profundo, belo e descolado sobre os problemas do amor, não passa de um filme falso envolvido em uma enorme aura de plástico.

    A pretensão de um realizador é uma espécie de pílula que, dependendo de quem a ingerir, pode gerar resultados enriquecedores ou que imobilizam, pois diminui vertiginosamente o medo de errar e a necessidade de seguir convenções. O cinema não teria encontrado várias de suas mudanças se não fosse pela pretensão de jovens – a Nouvelle Vague é um exemplo –, mas isso não acontece todos os dias e Os Amores Imaginários é a prova.

    Na história, temos Francis (Xavier Dolan) e Mari (Monia Chokri), amigos até a chegada do lindo Nicolas (Niels Schneider) à cidade, que desencadeia uma competição para quem vai ficar com o muso. Uma estrutura de triângulo que remete a Jules e Jim – Uma Mulher Para Dois, de Truffaut.

    Mas os personagens de Os Amores Imaginários são de mentira, vazios, plásticos, tipos que servem a propósitos: trata-se da representação mais simplista, egoísta e vazia do que é o amor. Impressionante como todos os protagonistas escritos por Dolan desde Eu Matei Minha Mãe sofrem da “doença do umbigo”. Histéricos, individualistas e insignificantes.

    Para tentar dar uma dimensão dramática e poética à sua história de triângulo amoroso, Dolan recorre às cores e à câmera lenta. Não ajuda colocar a imagem em slow motion e uma música ao fundo. Falar do amor no cinema não é tão simples assim, que diga Wong Kar-Wai e seu Amor à Flor da Pele. Poesia não surge à mão de ferro.

    Os Amores Imaginários tem personagens sem frente nem fundo embalados numa narrativa pretensiosamente poética. Um filme de butique: bonitinho, engraçadinho, mas tão descartável quanto copo plástico.

    Neste ano, Abbas Kiarostami mostrou com Cópia Fiel como é possível pegar um tema batido no cinema (discussão de relação de um casal) e dar um olhar cinematográfico novo, com narrativa complexa, densidade de personagens, mas que resultam em um filme leve como uma pena.

    O filme de Dolan é o oposto disso. Faz uma colagem de outros tipos de cinema, confia em personagens que saíram de anúncios publicitários e finge ter narrativa elaborada. No caso de Os Amores Imaginários, a pretensão de um realizador trabalhou contra.