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    OS BELOS DIAS

    Obra traz boas reflexões, mas não causa impacto
    Por Cristina Tavelin
    06/10/2013

    Há uma questão cada vez mais latente na sociedade contemporânea: a mudança nos relacionamentos amorosos em todas faixas etárias. As pessoas vivem mais e melhor e, consequentemente, sentem vontade de começar de novo. Porém, cada geração carrega consigo um estilo próprio. Como transpor essa ponte?

    Adaptado e dirigido por Marion Vernoux com base no romance de Fanny Chesnel, Os Belos Dias tenta trazer essa reflexão. Na trama, Caroline (Fanny Ardant) resolve se aposentar da profissão de dentista após discutir com um paciente. Entretanto, vê no inédito tempo livre um vazio que a consome. Por sugestão das filhas ocupadíssimas com seus próprios filhos e do marido, começa a frequentar um clube para a terceira idade, o qual leva o título do longa.

    Lá, conhece Julien (Laurent Laffite) e, inesperadamente, começa a ter um caso. O casal protagonista dessa história é bem convincente. Fanny Ardant, no auge dos seus 64 anos, traz um ar de desolação e tédio para a realidade da personagem que se apega rapidamente a Julien. No início, têm-se a impressão do amor cego do rapaz, talvez por estarmos embriagados pela visão estereotipada de finais felizes de Hollywood.

    Aos poucos, a fantasia se quebra e ele mostra seus verdadeiros traços. Entre os acertos do longa está o de não julgá-lo por suas escolhas. A diretora mostra essa imparcialidade por meio da personagem de Fanny. Ela não se assusta diante dos fatos concretos. Pelo contrário, mostra-se madura o suficiente para buscar entender o parceiro casual e não viver numa ilusão.

    Seguindo essa linha, o longa também traz algumas reflexões sobre traição. A relação de Fanny com a família e o marido Philippe (Patrick Chesnais), outro dentista, se modifica diante do turbilhão de emoções despertadas pelo conflito interno.

    Com personagens bem construídos e roteiro permeado por nuances reflexivas e contemporâneas, Os Belos Dias é um filme que vale a pena ser visto. Entretanto, mostra-se o tipo de longa que impressiona mais quem passa por situação parecida, não chega a ser marcante para todos – se mantém antes do limiar de estilos, caminho inerente às obras clássicas. De qualquer forma, deixa mais um ponto positivo e elegante dentro do cinema francês.