cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    OS CANDIDATOS

    Filme se vende como sátira política, mas é apenas um comédia comum e pouco inspirada
    Por Daniel Reininger
    17/10/2012

    Com as eleições para prefeito rolando no Brasil e a disputa pela presidência esquentando nos Estados Unidos, parecia não haver momento melhor para uma sátira política, certo? Sem dúvidas, mas não será Os Candidatos a cumprir esse papel, apesar das aparências. O longa não passa de uma comédia padrão que se esforça para arrancar risadas a todo custo da plateia. O que não é problema para a dupla de protagonistas: Will Ferrell e Zach Galifianakis.

    Ao contrário de O Ditador, que usa a comédia para frisar uma mensagem política, Os Candidatos procura desviar a atenção do espectador da falta dela, sempre nos fazendo lembrar que existe um lado “bom” em cada concorrente e batendo na tecla da comédia pastelão. Não aspira a ser inteligente nem sofisticado, o que fica claro desde o começo.

    Na trama, o congressista republicano Cam Brady (Will Ferrell) espera vencer com facilidade mais uma eleição na Carolina do Norte, afinal, é o único candidato. Só que as coisas se complicam quando ele deixa uma mensagem para sua amante, por engano, na secretária eletrônica de uma pacata família, iniciando um escândalo sexual. É nesse momento que dois inescrupulosos empresários, que querem vender parte do Estado aos Chineses, decidem apoiar um novo concorrente, o atrapalhado Marty Huggins (Zach Galifianakis), que faz de tudo para agradar seu influente pai.

    Os clichês básicos estão presentes a começar pelos protagonistas. Ferrell é o candidato imoral que não se importa realmente com o que faz, mas no fundo tem um bom coração. Já Galifianakis é o homem de família ingênuo e com jeitão esquisito que acaba seduzido pelo poder, fama e vontade de vencer. Certeza que você já viu esses tipos antes e sabe onde essa história vai parar.

    Com narrativa boba e frenética, o filme não encontra base cômica sólida para se apoiar e só funciona quando aproveita o talento de Galifianakis e Ferrell para a comédia física e improvisação. Isso é suficiente para fazer o espectador cair na gargalhada com algumas cenas absurdas, como quando Ferrell soca um bebê ao tentar acertar seu rival. No entanto, nem adianta procurar por inovação aqui.

    A direção preguiçosa de Jay Roach reutiliza com pouca eficiência truques de seu (ótimo) Entrando Numa Fria, o que deixa o filme cansativo. Além disso, é sempre muito fácil prever o que vai acontecer, como na cena do anúncio do vencedor da eleição, cuja única surpresa fica por conta de um dos candidatos acabar de calças arriadas em meio à festa – desnecessário e, se for pensar, nem é tão surpreendente assim.

    As piadas com cunho sexual também estão presentes e não ajudam em nada a trama. Pelo menos aqui as famigeradas piadas com flatulências e fluídos corporais - fixação de alguns roteiristas de humor americanos - ficaram de fora. Ainda assim, a produção combina perfeitamente com o slogan da campanha de Marty: “É uma bagunça” – porque é mesmo.

    Os Candidatos poderia ter sido uma boa sátira se não usasse a política apenas como pano de fundo para apresentar situações grotescas e exageradas. Boa pedida apenas para quem quer somente desligar o cérebro e rir dos dois bons comediantes metidos em situações embaraçosas. E só.