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    OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE

    Esmir Filho estreia na direção com história sobre angústia adolescente<br />
    Por Heitor Augusto
    29/03/2010

    Os Famosos e os Duendes da Morte, estreia do curta-metragista Esmir Filho (de Tapa na Pantera, Saliva entre outros) na direção de um longa, traz um adolescente de uma cidade minúscula que quer apenas ser livre e encontrar seus pares. Encaixar-se no mundo e viver com sua “tribo”.

    Esmir busca dar um tom de angústia ao seu personagem e a seu filme. Utiliza a neblina da cidade de Lajeado e os sons que ela produz. Tenta transmitir os sentimentos de seu herói por meio do sensorial e busca estabelecer com o espectador um contato tête à tête.

    Porém, essa aproximação é extremamente irregular. Isso porque em alguns momentos o filme transmite uma angústia plástica e seus personagens tornam-se portadores de diálogos que buscam ser profundos e reflexivos, mas soam banais e poser. Posado, expressão calculada.

    Há outros clichês no desenho do garoto (Henrique Larré) que tem uns 16 anos, é fã de Bob Dylan e está cansado de não ter algo para fazer. Ele posta escritos em seu blog e não entende porque a cidade inteira se reúne para uma festa junina. E só porque ele gosta de escrever, não tem muitos amigos e ouve Bob Dylan ele precisa necessariamente berrar no meio da quadra de futebol que não gosta de jogar? Então, para estar desconectado com aquele lugar, ele precisa vir com o selo “personagem adolescente incompreendido”: internet é o contato + rock é a música + “ninguém me entende” é a frase + ódio ao futebol é algo natural?

    Falta verdade à maneira que esse adolescente expressa suas questões. Sobra virtuosismo nas imagens que reiteram constantemente a sensação de que o personagem não sente que pertence aquela atmosfera.

    Os Famosos e os Duendes da Morte toca a angústia e falta de liberdade pelas beiradas. Esmir, que se aproveitou do celofane para transformar em imagem a insegurança de uma menina em Saliva, desta vez se perde na beleza e na falta de penetração que o plástico pode criar. Entre nós e o filme, há sempre um celofane que impede que cheguemos perto do que é a falta de liberdade.