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    OS GIGOLÔS

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    Um silencioso passeio noturno pelo submundo de Londres, apoiado por uma eficiente e hipnótica fotografia. Assim pode ser definido Os Gigolôs, filme inglês de ficção, mas com um pé fortemente fincado no naturalismo documental.

    A trama fala de Sacha (Sacha Tarter), gigolô profissional especialista na arte de satisfazer ricas senhoras britânicas da terceira idade. Minucioso e elegante, Sacha deve boa parte de seu sucesso a Trevor (Trevor Sather), mistura de empresário e assistente que cuida de todos os detalhes para que seu galante colega de trabalho se concentre apenas no que seja necessário. Porém, a relação entre ambos começa a estremecer quando Sacha se acidenta e decide que o amigo Trevor irá substituí-lo provisoriamente.

    Chega a surpreender o fato de Os Gigolôs ser um longa-metragem de estréia. E mais. Que seu diretor, Richard Bracewell, tenha sido também o responsável pela produção e pela ótima fotografia do filme. Escura, intimista e atraente, ela atira o espectador diretamente nas calçadas londrinas, criando o clima perfeito para o desenvolvimento e credibilidade da história. História, aliás, escrita pelo próprio diretor, em conjunto com Sacha Tarter e Trevor Sathe. Sim, os atores principais do filme. Não, eles não são gigolôs na vida real, apenas amigos de colégio e parceiros em dois curtas-metragens.

    Estes três jovens talentos, além de realizarem um notável longa de estréia, conseguiram também outra proeza com Os Gigolôs: convenceram três grandes damas das telas inglesas - Susannah York, Sian Phillips e Anna Massey - a participar como atrizes coadjuvantes do projeto. Susannah York interpretou a mãe do Super-Homem em três produções e recebeu indicação ao Oscar de coadjuvante por A Noite dos Desesperados; Anna Massey trabalhou com Hitchcock em Frenesi e George Cukor em O Milho Está Verde; Sian Phillips esteve em Nijinski e Duna, entre dezenas de outros.

    Apesar do título, Os Gigolôs não é um filme sobre sexo, mas um delicado estudo sobre a solidão, a falta de carinho, o abandono da terceira idade e a carência por uma elegância sóbria que parece não ter mais espaço nos dias de hoje. A mesma elegância sóbria que Richard Bracewell destila em seu filme e que certamente não terá espaço nos engordurados cinemas multiplex de hoje.