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    OS HIPOPÓTAMOS DE PABLO ESCOBAR

    Por Roberto Guerra
    20/10/2011

    O cenário: hipopótamos vivendo completamente soltos, fora de seu habitat, e se reproduzindo sem controle. As vítimas: os habitantes das imediações da Fazenda Nápoles (a 320 quilômetros de Bogotá, Colômbia), aterrorizada pelos animais selvagens. O pivô: o traficante Pablo Escobar, que trouxe os animais clandestinamente da África para um zoológico particular na década de 80. O drama: hoje, 20 anos após a sua morte, os hipopótamos somam mais de 40 e viraram motivo de uma batalha entre governo e ambientalistas.

    A história surreal é o tema do muito bem realizado documentário Os Hipopótamos de Pablo Escobar, de Antonio Von Hildebrand, que enfoca com bom humor o legado mais absurdo deixado pelo traficante e, a partir daí, traça um bem documentado retrato do bandido que tanto sofrimento causou à Colômbia.

    Quando ainda era o todo-poderoso chefão do tráfico colombiano, Escobar explodiu um voo comercial matando 110 pessoas, assassinou ministros, juízes, políticos, além de civis que foram vítimas de carros-bombas. Apaixonado por animais, em novembro de 1983 trouxe as primeiras espécies exóticas da África para construir um zoológico particular, a Hacienda Napoles. O transporte dos animais foi feito por um avião Hércules que ficou conhecido como “narcoarca”. A bordo viajavam casais de girafas, zebras, cangurus, leões, tigres e hipopótamos.

    O zoológico, que chegou a abrigar mais de 2.500 animais, foi sendo abandonado com a decadência do próprio chefão. Quando Escobar morreu, em dezembro de 1992, o zoo particular do traficante foi saqueado e os animais que não morreram foram roubados ou transportados para o zoológicos da Colômbia e de outros países. Não foi o caso dos hipopótamos. O casal original reproduziu-se sem controle e calcula-se que hoje, só no entorno da Hacienda Napoles, ainda vivam cerca de 41 deles.

    Os Hipopótamos de Pablo Escobar revela talvez o mais insólito problema da longa lista de absurdos de Escobar em seu país. Responsável por milhares de assassinatos por desencadear uma onda de violência sem igual na Colômbia, o chefão do narcotráfico enxergava-se como um Robin Hood. Construía estádios de futebol, igrejas e distribuía dinheiro para as comunidades carentes de Medellín. “Aquele que morria por Pablo Escobar morria feliz”, revela o chefe dos capangas do traficante, John Jairo Velázquez Vázquez, em depoimento ao documentário.

    A produção, cheia de originalidade narrativa e bom humor, revela uma exaustiva investigação permeada por trechos animados nos quais um hipopótamo chamado Pablo narra, para uma de suas muitas crias, sua boa vida de macho-alfa na Colômbia. Ao longo da projeção, o diretor traça um paralelo entre esses animais e o traficante: ambos se defendem atacando, são dados a arroubos, acham que podem tudo e são extremamente violentos quando sentem que seu território foi invadido.