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    OS INFIÉIS

    Filme é grande tiração de sarro com os conceitos de infidelidade e machismo na sociedade moderna
    Por Roberto Guerra
    02/09/2012

    Demora-se um pouco a perceber que o longa Os Infiéis é uma grande tiração de sarro. Instável, é bem verdade, mas apenas uma grande sátira aos conceitos – muitas vezes alçados à condição de verdades absolutas - de fidelidade, machismo e do papel do homem e da mulher na sociedade moderna. De início pode-se até pensar estar diante de uma dessas produções babacas e cheias de clichês sobre a guerra dos sexos, mas um olhar mais apurado nos faz perceber que este filme francês, que traz a percepção da infidelidade masculina por sete realizadores, se propõe a ser uma gozação deliberada sobre tudo isso.

    Com essa proposta Os Infiéis acerta algumas vezes e erra outras tantas. Há momentos engraçados e outros absolutamente constrangedores e nosenses. Logo de início somos apresentados a uma dupla de amigos (o vencedor do Oscar por O Artista, Jean Dujardin, e Gilles Lellouche, de Até a Eternidade) cujo hobby é trair suas esposas. Dois típicos machos que defendem a poligamia apelando para conceitos biológicos do tipo: “o homem é geneticamente propenso a buscar novas parceiras para perpetuar a espécie”. E é o que os dois fazem, passando noitadas juntos que, invariavelmente, terminam num quarto de motel acompanhados de mulheres de ocasião. No dia seguinte, sobra a ressaca e as desculpas esfarrapadas para as esposas, todas previamente combinadas.

    Depois desse primeiro momento é que se descobre que o filme é episódico. Dujardin e Lellouche interpretam diversos papeis dentro da trama e, em todos, encarnam algum estereótipo masculino. Na segunda parte, uma das mais engraçadas, Dujardin de pegador passa a viver o típico cara que não come ninguém. Participando de uma convenção num hotel distante de casa, vê aí a oportunidade de sair um pouco da rotina de casado. Atira para todo lado, mas não acerta ninguém, enquanto Lellouche, agora um cadeirante boa praça, já pegou mais de três. Ao final da noite, faz sua derradeira tentativa com uma coroa nada atrativa, na típica situação de fim de festa que, para não ficar no prejuízo – e depois de uns drinks a mais – come-se o que aparecer pela frente.

    Num outro episódio, Lellouche interpreta o homem na idade do lobo que busca se afirmar como macho indo pra cama com uma gatinha muitos anos mais nova. Uma cena dessa sequência é bem emblemática da situação. Lellouche está na cama deitado, depois de uma transa, enquanto a jovem, nua, de costas, se penteia diante do espelho. Ele aprecia o belo corpo da moça e se sente revigorado, com o orgulho de macho em alta, aquela sensação que só uma mulher jovem pode reacender num veterano. Mas nem tudo são flores, afinal. A diferença de idade e vigor mais cedo ou mais tarde cobrarão seu preço. E no final da noite, resta ao personagem voltar pra casa com a cara amassada e uma história mirabolante para contar para a mulher.

    E assim segue Os Infiéis até seu final, quando voltamos aos personagens que começaram a trama, num desfecho improvável, mas que não deixa de estar em consonância com o que se viu ao longo do filme. Existe ainda no longa outros modelos de machos incorrigíveis apresentados em esquetes cômicas de transição, que são reunidos depois numa terapia de grupo para viciados em sexo, sequência que rende outros bons momentos engraçados - e outros nem tanto assim.

    Os Infiéis é um filme cômico no qual erros e acertos se distribuem na mesma medida. Você vai rir algumas vezes e não vai achar a menor graças outras tantas. Dujardin e Lellouche são atores carismáticos e ajudam a fazer o filme funcionar em certa medida, apesar da falta de unidade que entrelaçam as histórias. Ainda assim este é um filme de franceses tentando ser engraçados e o humor francês é bem diferente do nosso - e do humor americano com o qual estamos habituados. Vale pelo experimento, mas não se anime muito.

    Em tempo: se você é feminista, dessas de carteirinha (ou pochete), passe longe desse filme.