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    OS IRMÃOS GRIMM

    Por Angélica Bito
    22/05/2009

    Todo mundo conhece a obra dos irmãos Grimm, mas nem sempre relaciona suas histórias, apropriadas pela cultura popular, aos autores. Referência de contos de fadas como Cinderela, João e Maria e Chapeuzinho Vermelho desfilam pelo roteiro de Os Irmãos Grimm, filme que traz Heath Ledger e Matt Damon no papel desses dois escritores, cuja obra tornou-se indelével no imaginário popular mundial.

    O filme, dirigido por Terry Gilliam (Medo e Delírio), pode ser visto como um conto de fadas sobre a dupla de irmãos e escritores ao fantasiar em torno de suas figuras reais. Apesar de colocá-las como protagonistas desta aventura fantástica, o roteiro de Ehren Kruger (A Chave Mestra) cria situações em torno deles. Dosando com maestria elementos engraçados, românticos e de mistério, Os Irmãos Grimm é uma fascinante aventura que, apesar de ter elementos de populares contos de fadas, não é para crianças por ser um pouco mais assustador do que as histórias que conhecemos.

    Os irmãos do título são os trapaceiros Jacob (Matt Damon) e Will Grimm (Heath Ledger). Eles vivem de cidade em cidade, no interior da Europa, a fim de desmascarar fantasmas e lendas populares. Armando verdadeiras peças teatrais para enganar a população, fingem acabar com bruxas e fantasmas. É na lábia que eles conseguem a sobrevivência, até que são desmascarados pelo exército francês em plena ocupação européia, no século 19. Passam, então, a ser perseguidos pelo General Delatombe (Jonathan Pryce), que lhes faz uma proposta: devem acabar com o mistério real que acontece em uma vila alemã se quiserem continuar vivos. Até o momento, nove crianças locais já desapareceram na floresta ao lado. Os irmãos passam a lidar com uma floresta verdadeiramente encantada, onde mora uma rainha (Monica Bellucci) e vaidosa que quer sua beleza de volta, custe o que custar.

    Adormecida do alto de uma torre, ela só espera pelo momento em que retornará à vida. Com a ajuda da caçadora Angelika (Lena Headey), penetram na floresta, onde encontram um lobo mau, árvores que se movem, um sapo que adora ganhar beijos e corvos, muito corvos. Sombria e nada confiável, essa floresta se torna principal fonte inspiradora para as histórias escritas por Will durante a aventura. Os dois irmãos, por sinal, são bem diferentes entre si: enquanto que Jacob prefere colher os louros de seu sucesso com as garotas, Will é introspectivo e vive imaginando histórias fantásticas. Até que uma delas se torna real.

    Além de bastante divertido, Os Irmãos Grimm carrega um gosto especial de nostalgia a nós, que crescemos ouvindo seus contos, por causa de suas referências. Os efeitos especiais são caprichados, assim como a direção de arte, que consegue reproduzir belamente a vida regrada a crendices da época, especialmente no interior da Europa. A dupla de atores principais apresenta uma química eficaz, conquistando o espectador com alta dose de carisma. O roteiro consegue prender muito bem o espectador, mas derrapa no final com uma conclusão óbvia e comum. O que não chega a comprometer o resto do filme.

    Algumas vezes lembrando A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999) - tanto na concepção visual quanto no roteiro -, Os Irmãos Grimm é um delicioso e divertido conto de fadas para gente grande.