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    OS JOVENS TITÃS EM AÇÃO! NOS CINEMAS

    Por Diego Canha
    22/08/2018

    Antes de tudo acho bem pertinente deixar claro: Os Jovens Titãs Em Ação! Nos Cinemas é para crianças. Parece óbvio, mas cansamos de ver animações da Pixar que atraem pequenos e adultos com suas camadas de entendimento. Esse não é o caso por aqui! Entenda: a série e o longa são feitos para as crianças e deixam o melhor recado possível: deem valor para seu lado infantil, ele pode até salvar o mundo.

    Eu exploro mais esse tema e o quão é fundamental entendê-lo nesse texto, e ainda deixo alguns episódios fundamentais para ver antes ir ao cinema.

    O longa mostra Robin humilhado por ver toda a bat-família receber um filme solo enquanto ele está preso a uma série infantil. Mas tudo muda quando ele ganha essa oportunidade, mesmo que o preço seja se afastar dos seus amigos. E aí entra o recado emocional da trama, onde a união do time deve prevalecer para derrotar a grande ameaça e o quão importante é ser infantil.

    A grande dúvida quando fui escalado para ver o filme foi: como transportar uma série com episódios de 11 minutos para um longa de 1 hora e meia? Afinal o público que eles miram quer algo rápido, frenético e colorido. E isso é feito magistralmente nos dois primeiros atos do filme, inclusive mostra que dá para ser infantil, fazer piadas de pum e ainda não parecer um tonto na tela como alguns youtubers (Lucas Neto cof cof cof...).

    Esses dois primeiros atos mesclam muito bem as piadas, narrativa e musicais. Essas cenas com música inclusive são fora da curva, com a animação mudando seus traços e fazendo referências a outros sucessos do Cartoon Network, como Steven Universo.

    Agora você nerd velho, porque iria ao cinema? O filme é uma aula do que deve ser uma adaptação. Mesmo sendo a versão criança desses heróis que já estão adultos nos quadrinhos, a adaptação respeita o original. As características básicas de cada personagem estão mantidas e exploradas dentro do universo proposta, isso vai além dos cinco protagonistas e alcança heróis como Hal Jordan, Homem-Elástico, Mulher-Maravilha.

    Se o respeito ao cerne de cada personagem não te interessou, vá pela caça às referências. E assim como na série, aqui elas aparecem a cada momento. Desde ironias ao Marvel Studios, ao próprio universo da DC nos cinemas ou até Harry Potter. Ver uma continuação para a clássica cena da "minha mãe é Martha" ficou impagável... Ou então quando Geene Hackman e toda motivação de seu Lex Luthor é citado.

    O filme perde um pouco do fôlego no último ato, quando a ação precisa acontecer um pouco mais. E vira o erro padrão dos filmes de super-herói: ter uma batalha épica contra o vilão. A sequência fica mais arrastada do que deveria, porém é notável o esforço para transpor a maneira que a animação resolve seus problemas na série e como amarrar isso em um filme. Infelizmente nesse momento os roteiristas perderam a chance de usar a música clássica "40% 40% 20%" como tema para o clímax, optando pelo rap antes apresentado pelo grupo.

    Mesmo essa esticada desnecessária não estraga a qualidade da animação. O filme entrega o que se propõe desde o início, respeita a mitologia do universo apresentado na televisão e deixa até as viúvas da série Os Jovens Titãs animadas após a cena pós-créditos.

    Que esse olhar para os super-heróis da DC continue assim em sua maioria: alegre, colorido, infantil até e com ar de esperança. Que seja o início de uma era em que a Warner e a DC não tenham vergonha de um Aquaman de roupa laranja, de menos cenas no escuro, mais Shazam! rindo. Tchau, Snyderverso!

    Há um bom tempo eu não conseguia sair do cinema após um filme da DC Comics com o sentimento de alma renovada, diversão cumprida e esperança sem bigode. Sim, jovens, Alan Moore está certo: super-herói é coisa de criança. Mas tá tudo bem um adulto gostar de ver e ler esse universo.