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    OS NOMES DO AMOR

    Filme desconstrói tabus culturais expondo o ridículo dos falsos rótulos aos quais nos apegamos<br />
    Por Celso Sabadin
    30/11/2011

    Não é exatamente nova a temática de se fazer uma comédia romântica sobre dois personagens que são diametralmente opostos um do outro. Porém, Os Nomes do Amor parte deste pressuposto para fazer um filme muito acima do que nos acostumamos a ver neste gênero. Com direito a uma fortíssima dose de crítica social e um baita esculacho no racismo e na intolerância.

    Os protagonistas são a bela e jovem Bahia (Sara Forestier) e o quarentão Arthur (Jacques Gamblin). Ela, ativista, esquerdista, pacifista, ambientalista e de origem árabes. Ele, um biólogo sério, conservador, que se julga um autêntico representante da cultura francesa. Ou não? O fato é que ambos se apaixonam, por mais que Arthur estranhe a bizarra estratégia política de Bahia: ela faz sexo com todos os simpatizantes da direita que conhece, na intenção de “convertê-los” ao liberalismo.

    O ponto forte do filme é o seu roteiro, escrito a quatro mãos por Baya Kasmi, estreante em longas, e por Michel Leclerc, também diretor do filme. Eles são casados na vida real, o que certamente contribuiu para a picardia dos excelentes diálogos. Com muito humor, o filme escancara o quanto são vazias e sem sentido as armadilhas preconceituosas em que a maior parte da população se mete, quando o assunto é o relacionamento humano. Amoroso ou não. Sarcasticamente, Os Nomes do Amor desconstrói tabus culturais intolerantes que costumam reger o mundo, expondo o ridículo dos falsos rótulos aos quais tão fragilmente nos apegamos. O que difere, afinal, tão radicalmente, um árabe de um judeu? Um branco de um negro? Ou um fascista de um comunista, se é que eles ainda existem. Quantos anos de nossas vidas pessoais e séculos das vidas sociais são desperdiçados sob estas máscaras tão inconsistentes?

    Mas não espere discursos políticos ou sociais. Os Nomes do Amor aborda todos estes temas – e vários outros – sem perder a leveza e a ironia, jamais.

    Além do César de roteiro, o filme também rendeu para Sara Forestier o troféu de Melhor Atriz.