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    OS OLHOS AMARELOS DOS CROCODILOS

    Drama traz conflitos demais e perde foco da trama
    Por Edu Fernandes
    02/07/2015

    Uma das virtudes que um roteirista precisa empregar na hora de realizar uma adaptação é o desapego. Transformar páginas de um livro em cenas na tela é um trabalho árduo e cortes cirúrgicos na dramaturgia literária são necessários para que a coisa funcione no escurinho do cinema. No caso de Os Olhos Amarelos Dos Crocodilos, não foi isso o que aconteceu.

    O romance de Katherine Pancol tem quase 500 páginas. Portanto, é lógico que alguma redução seria necessária para que a história funcione como longa-metragem. No entanto, o roteiro não consegue diminuir a importância dramática de alguns personagens e o que sobra é um filme de quase duas horas de duração com uma quantidade excessiva de conflitos.

    A trama principal gira em torno nas irmãs Joséphine (Julie Depardieu, de A Arte De Amar) e Iris (Emmanuelle Béart, de Anos Incríveis). A primeira é uma tímida acadêmica que acaba de se divorciar. A outra é uma socialite que tenta preencher seu tempo vago com frivolidades.

    Iris suspeita que o marido (Patrick Bruel, de Qual o Nome do Bebê) está tendo um caso com uma colega de trabalho. Para provar que não é apenas um rosto bonito, ela mente que está escrevendo um romance. Ela contrata a irmão para ser uma escritora-fantasma e manter a farsa em pé. A princípio, Joséphine não quer o trabalho, mas as dívidas oriundas da separação são motivadoras o suficiente para que ela entre na empreitada.

    A rivalidade fraternal aumenta quando o romance se torna um best-seller. Joséphine ganha dinheiro suficiente para sanar os débitos, mas a fama sobe à cabeça de Iris. A situação potencializa a dupla a reviver diferenças do passado.
    Se o roteiro de Os Olhos Amarelos dos Crocodilos se limitasse nas irmãs, o filme poderia servir para discutir a sociedade do espetáculo, o jogo de aparências e a questão da autoria. No entanto, os conflitos secundários são tantos, que não sobra muito tempo para as reflexões.

    Do lado de Joséphine, há toda a jornada de Antoine (Samuel Le Bihan, de Inimigo Público nº 1), seu ex-marido que se muda para a África do Sul com a intenção investir em uma fazenda de crocodilos. Depois de separada, a pesquisadora começa a se aproximar de Luca (Quim Gutiérrez, de O Quarto Secreto) e o flerte também toma mais tempo do que o necessário.

    Do lado de Iris, há um núcleo dramático inteiro para seu padrasto  e mãe. O homem está preso em um casamento infeliz e mantém um caso com uma funcionária. De todas as gorduras do roteiro, esse triângulo amoroso certamente é o mais desnecessário.

    Para completar a bagunça, ainda tem os filhos e amigas das protagonistas, todos com seus dramas pessoais. Assim, conforme caminha para o fim, Os Olhos Amarelos dos Crocodilos criou tantas tramas para dar conta, que é inevitável um desfecho atribulado, como o último capítulo de uma telenovela terminada às pressas.