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    OS TRÊS MOSQUETEIROS 3D

    Filme tem visual de encher os olhos mas peca por falta de ritmo e excesso de licenças
    Por Roberto Guerra
    11/10/2011

    Para assistir ao novo Os Três Mosqueteiros é preciso desapego. Esqueça a fidelidade ao romance de Alexandre Dumas e ignore as leis da Física e as aulas de História. Assim, quem sabe, seja possível encontrar alguma diversão nessa mais nova adaptação para as telas das aventuras dos habilidosos espadachins Aramis, Porthos, Athos e D'Artagnan.

    Verdade seja dita, ninguém esperava uma versão romântica e poética dos heróis de Dumas vinda de Paul W. S. Anderson (Resident Evil e Alien vs. Predador). A praia de Anderson, como se sabe, são efeitos especiais e ação. Sutileza ao contar uma história tampouco é seu forte. No entanto, mesmo analisando-se o filme como mero entretenimento descerebrado, é explícita sua falta de ritmo.

    Temos uma primeira meia hora até interessante, pois ensaia-se aí uma paródia descompromissada da história original permeada por de cenas de ação. Depois, o corre-corre cessa por um longo período e – como não há uma história que se sustente a ocupar o espaço - fica o vazio de um enredo sem força nas mãos de um diretor inapto. É preciso, então, aguardar até os 20 minutos finais para se ter de volta o melhor que o filme oferece: sequências de ação. E só.

    O miolo traz uma trama envolvendo o roubo de uma joia real que pode mudar os destinos do império francês. Enquanto o jovem D'Artagnan e os mosqueteiros planejam salvar a França do trágico destino que se aproxima, nada de empolgante realmente acontece, a não ser que o espectador com bastante senso de humor divirta-se assistindo Milla Jovovich descendo pela fachada de um castelo ao melhor estilo Tom Cruise em Missão Impossível , ou então eliminando soldados reais em cenas que usam e abusam de slow-motion e efeitos Matrix, o que, convenhamos, não combina com um filme de época.

    O elenco, aparentemente promissor, não engrena. Nem mesmo Christoph Waltz como o Cardeal de Richelieu consegue se destacar, apesar de ter alguns bons momentos. Milla Jovovich é a personagem de Resident Evil em trajes de época. Ray Stevenson, Luke Evans, Matthew Macfadyen, os mosqueteiros, ficam muito longe de criar empatia com o espectador como o trio de O Homem da Máscara de Ferro (Jeremy Irons, John Malkovich e Gérard Depardieu), de 1998. Logan Lerman, o D'Artagnan, funciona apenas como uma figura de identificação para o espectador adolescente e Orlando Bloom faz um duque de Buckingham caricato e sem graça.

    Para não dizer que não falei das flores, visualmente o filme é de encher os olhos. Filmado em Potsdam e em belos castelos e cidades da Baviera, na Alemanha, a produção tem direção de arte caprichada e figurino - concebido pelo designer Pierre-Yves Gayraud - detalhista e de acordo com a proposta do filme.

    Esta versão de Os Três Mosqueteiros não entrará para a história do cinema como a melhor, nem a mais fiel, tampouco a mais divertida ou interessante. Pensada para ser uma trilogia – isso, claro, se conseguir um bom retorno de bilheteria -, é esperar para ver se as coisas melhoram nos próximos capítulos.

    Em tempo: o famigerado 3D não faz a menor diferença, a não ser no preço do ingresso.