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    OURO NEGRO

    Uma série de erros que começa no roteiro e termina na direção de atores<br />
    Por Heitor Augusto
    03/12/2009

    Isa Albuquerque tinha um desafio complicadíssimo ao fazer Ouro Negro: contar a saga do desenvolvimento do petróleo no Brasil, desde a década de 1920, a partir da teimosia de Pedro Gosh (Odilon Wagner), personagem inspirado na vida do pioneiro José Bach.

    No meio do caminho entre objetivo e realização existe uma série de escorregões no filme. O primeiro deles é o anseio em contextualizar todos os fatos em um roteiro episódico. Já que a trama abarca cerca de 40 anos da história brasileira, os personagens tentam, por meio das falas, reconstituir períodos, como a gripe espanhola que vitimou o então presidente Rodrigues Alves, o voto feminino, a construção do Cristo Redentor. Didatismo incômodo que aproximam o longa de um telefilme.

    O segundo dos escorregões é a atmosfera de artificialidade que permeia Ouro Negro, seja pela direção de arte ou interpretação dos atores. Danton Mello, que interpreta o pupilo de Gosh, tem entonação teatral e fala para uma plateia, não a espectadores de cinema. Felipe Kannenberg, que vive Otto Manheimer, responsável por sabotar as tentativas de prospecção em solo brasileiro, tem um sotaque que mistura inglês e alemão, mas o perde ao longo do filme.

    Até mesmo Chico Diaz, cujo currículo é recheado de boas atuações (Amarelo Manga, O Sol do Meio Dia, Os Matadores), tem toda sua mise-en-scène tolhida e massacrada por um personagem-tipo, um militar malvado.

    O terceiro dos escorregões é utilizar um triângulo amoroso chato e plástico para não deixar o espectador fugir do filme. Assim, o roteiro de Isa Albuquerque, Duba Elia, Diana Nogueira, Ana Lúcia Andrade coloca o desenvolvimento do petróleo em paralelo com o romance de Danton Melo, Luiza Corvo e Maria Ribeiro. O trio parece um núcleo da novela Força de um Desejo.

    O anacronismo da direção de atores chega ao ápice do inaceitável quando Maria Ribeiro, que interpreta a vanguardista Camila Camargo Mattos, defensora do volto feminino, entrega um panfleto para Luísa Gosh Martins (Luiza Curvo). Não parece uma abordagem militante mas uma colega convidando a outra com um flyer para ir à balada.

    Ouro Negro é uma sequência de deslizes que passa pelo roteiro, direção de atores, trilha sonora e direção de arte. Um erro, ainda mais se compararmos com outra epopeia do petróleo, Sangue Negro.