cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    PAÍS DO DESEJO

    O cineasta Paulo Caldas erra a mão neste longa ao tentar abarcar muitos temas sem êxito em nenhum
    Por Roberto Guerra
    17/01/2013

    Este longa assinado por Paulo Caldas, dos premiados Baile Perfumado e Deserto Feliz, leva às telas uma história de amor incondicional, doença e contestação de dogmas religiosos vivida por personagens da elite econômica, turma pouco frequentadora dos filmes pernambucanos, a não ser para ser ridicularizada de alguma forma.

    “É como se cineasta pernambucano não pudesse falar de gente rica porque Pernambuco é pobre”, disse o diretor no Festival de Gramado de 2011, onde o longa foi exibido pela primeira vez. Caldas estava visivelmente irritado com os patrulheiros ideológicos que assomavam aqui e ali condenando seu filme apenas pelo argumento.

    A temática, obviamente, não é o problema de País do Desejo. Um cineasta deve poder tratar do assunto que quiser em seus filmes e dar uma pantomímica banana para os chatos paladinos do cinema engajado. O que de fato merece crítica aqui são os evidentes problemas de condução e desenvolvimento de trama e personagens, que transformam o longa numa espécie de pedra bruta a ser lapidada.

    Na trama, Fábio Assunção interpreta o padre José, ameaçado de expulsão da Igreja por apoiar uma adolescente violentada com necessidade de abortar. Em meio à pressão de seu superior (o excelente ator português Nicolau Breyner), o pároco se aproxima da pianista Roberta (Maria Padilha), vítima de uma doença renal grave. O encontro dos dois mudará de forma definitiva suas vidas.

    No elenco de apoio, há uma japonesinha gostosa que está no filme só para mexer com a libido do elenco – ela protagoniza a melhor cena do longa ao comer hóstias com catchup; um médico indiferente, irmão do Padre José, interpretado por Gabriel Braga Nunes; o pai de ambos, uma aristocrata ateu que come suas refeições batidas no liquidificador, e outros personagens de menor importância que ajudam a compor a trama.

    País do Desejo, principalmente em sua segunda metade, se apressa demais em evoluir as relações e dramas destes personagens. Tem-se a sensação de que faltou algo, como se tivéssemos saído da sessão para ir ao banheiro e perdêssemos parte do filme. Não demoramos muito a perceber um acúmulo de pontas soltas e subtramas desnecessárias que não se resolvem ou então se desenvolvem pressurosamente.

    Paulo Caldas errou pelo excesso de aspiração. Tentou tratar de muitos assuntos ao mesmo tempo - como amor sem limites, erotismo, intransigência religiosa, conservadorismo clerical, relações familiares - e acabou por perder o rumo em dado momento. Se seu filme merece críticas são por esses motivos. E só.