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    PAIXÃO E SEDUÇÃO

    Por Celso Sabadin
    22/05/2009

    No original, o filme se chama Better Than Sex (“Melhor do que Sexo”). A tradução brasileira resolveu inventar e rebatizou-o como Paixão & Sedução. Mas bem que este simpático romance co-produzido entre França e Austrália poderia se chamar “Pequeno Calendário Amoroso”. Por que? Primeiro porque os personagens dirigem suas reflexões olhando diretamente para a lente (ou para o público), na mesma linha do nosso Pequeno Dicionário Amoroso. Depois porque a narrativa não é pontuada pelas letras de um dicionário, mas sim pelos dias de um calendário. Três dias, para ser mais exato. E, finalmente, porque o tema gira em torno das eternas diferenças e dificuldades do relacionamento homem/mulher.

    A história mostra Josh (David Wenhan, antes de fazer o papel de Audrey em Moulin Rouge), um fotógrafo de passagem pela Austrália. Ele divide um táxi com Cíntia (Susie Porter, que viverá Hermione no Episódio II de Guerra nas Estrelas) e, durante a curta viagem, ambos começam a sentir uma certa atração recíproca. A princípio, não é nada arrebatador. Porém, assim que Josh diz a Cíntia que ele ficará apenas mais três dias na cidade, tudo muda de figura: a possibilidade de viver um relacionamento sem compromisso, que não duraria mais do que três dias (ou noites), põe fogo na libido do casal. Do táxi para a cama é um pulo.

    A partir daí, a história escrita pelo australiano Jonathan Teplitzky (que com este filme estréia tanto no roteiro como na direção de longas) se dedica a analisar, em apenas três dias, as aparentemente irreconciliáveis diferenças que colocam os homens em Marte e as mulheres em Vênus (ou seria o contrário?). Tudo com o alto astral e o bom humor geralmente visto nas comédias românticas do cinema independente dos EUA.

    Paixão & Sedução é um sinal dos novos tempos. Se nos antigos romances dos anos 40 e 50 os casais buscavam o amor ideal, a alma gêmea que durasse a vida inteira, agora eles se entusiasmam com a simples possibilidade de uma transa rápida, em que ninguém “grude no pé” no dia seguinte. Dentro de outro estilo, mas dentro da mesma linha de raciocínio, o filme francês Uma Relação Pornográfica analisava o relacionamento amoroso (ou sexual) sob o mesmo prisma. Como se toda a transe fosse boa, até entrar aquele pequeno elemento complicante chamado amor.

    Otimista sem ser moralista,, o filme de Teplitzky defende a idéia que melhor que o sexo (“better than sex”, de acordo com o título original) é o sexo feito de forma apaixonada. Uma mensagem no mínimo simpática para estes tempos tão duros.

    3 de dezembro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br