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    PAIXÃO INOCENTE

    Clichês acompanham discussão sobre a liberdade
    Por Ana Carolina Addario
    26/06/2014

    Viver livremente é uma missão difícil. Requer mais do que vontade e desprendimento e as consequências podem ser devastadoras. Com bela fotografia e química marcante entre o elenco, Paixão Inocente se apoia em clichês para abordar a relação entre amor, sonho e liberdade, mas alcança discussões relevantes no meio do caminho. Para os mais inspirados, há mensagens que certamente o acompanharão dias e dias após a sessão.

    Na trama, Keith e Megan são pais de Lauren, jovem secundarista que passará a dividir o quarto e seu próximo ano com uma intercambista britânica que viaja para os Estados Unidos em busca de novos rumos para a vida. Aos 18 anos, Sophie é uma garota aparentemente madura que dedicou maior parte de sua vida ao piano. Uma coincidência que a aproxima de Keith, um músico frustrado cuja vivacidade se perdeu.

    O encontro entre a monotonia do veterano Keith com a vibração da jovem Sophie é imediata: ela admira a intimidade do professor com a música, enquanto ele se encanta com a leveza e espontaneidade com que a estudante encara seu futuro, seja na música ou na vida. Uma empatia um tanto óbvia, naturalmente, mas que não prejudica a troca entre os personagens. Bem interpretados por Guy Pearce e Felicity Jones, os polos opostos que o filme representa conseguem construir e manter o clima de desejo o tensão que orienta este filme.

    Um ano depois de Loucamente Apaixonados, na trama sobre a aflitiva e emocionada tentativa de um jovem casal separado por um oceano de reconstruir sua ligação, Felicity Jones retorna ao papel da estrangeira em novas terras sob a ótica de Drake Doremus. Mas a escolha, neste caso, não tem tanta relevância do que no título de 2013. O filme não precisaria de uma ' figura forasteira' para discutir os limites de uma vida repleta de liberdade, de forma que este fato acaba como detalhe desnecessário.

    "É difícil descobrir como ser livre de verdade. E saber se isso é de fato uma coisa boa", avalia a jovem pianista. Embora o mote da personagem seja relevante, a origem de seus questionamentos não é bem explicada. A personagem que desencadeia os acontecimentos torna-se, assim, um tanto superficial estruturalmente. Em compensação, a maneira como a direção conduz a discussão sobre os limites de ser completamente livre ganha desdobramentos interessantes.

    Originalmente, Drake Doremus intitulou seu filme como Breathe In, algo livremente traduzido como "Inspire" - uma definição dúbia. No Brasil, o título Paixão Inocente tem menos impacto mas também esconde surpresas interessantes: é necessária dedicação para compreender a profundidade com que o diretor pretende discutir as vantagens e consequências de ser livre.