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    PETER PAN

    Aventura não aproveita elementos clássicos da obra de J.M. Barrie
    Por Pedro Tritto
    07/10/2015

    Desde que o escocês J.M. Barrie a criou em 1904, a aventura do menino que não quer crescer ganhou inúmeras versões para o cinema, teatro e televisão. Agora, o que até então nunca tinha sido contado com detalhes (Hook - A Volta Do Capitão Gancho mostra de maneira bem sutil) é a origem do personagem e como ele foi parar na Terra do Nunca.

    E é isso o que justamente Peter Pan, dirigido por Joe Wright (Anna Karenina), procura contar. Nada mais justo, afinal de contas, saber como um menino se tornou o herói que conhecemos hoje é uma pergunta que qualquer fã do personagem gostaria de ver respondida. Mas a verdade é que o filme fica devendo nesse quesito, afinal deixa muitas questões em aberto. 

    O longa é uma história de aventura bem infantil que traz boas cenas de ação, um herói mirim simpático, vilões clichês malignos (Hugh Jackman entrega uma atuação convincente e segura como Barba Negra), criaturas fantásticas e uma viagem com grandes desafios. Além disso, a trama traz momentos divertidos, como a chegada de Peter (Levi Miller) à Terra do Nunca, lugar onde presencia um afinado coro acapella de Smell Like Teens Spirit, clássico da banda Nirvana, liderado pelo vilão central.

    Entretanto, esse longa deveria ser uma nova versão de Peter Pan, mas não funciona nesse aspecto, pois não consegue aproveitar da melhor maneira possível os elementos clássicos da história criada por Barrie. Aqui, Sininho tem uma participação relâmpago, Hook está mais para um Don Juan do que para um futuro pirata e Peter não está nem um pouco determinado em não crescer ou proteger seus amigos acima de tudo, suas principais características.

    Claro que faz sentido os personagens terem características diferentes nesse momento, afinal de contas, estamos falando de algo que ainda não foi contado, um prelúdio da história que conhecemos e amamos, mas a verdade é que um ponto importante da essência da obra de Barrie se perdeu no caminho de inovação.

    Trata-se justamente do verdadeiro encanto da história, que vem do aspecto da Terra do Nunca ser um lugar da imaginação onde qualquer um pode ser criança para sempre. O prazer de estar lá e a vontade de nunca crescer praticamente não são citados no filme, o que é uma pena pois, assim, essa nova versão dá indícios de caminhar na contramão da ideia inicial do escocês.

    A trama começa com Peter sendo deixado pela mãe (Amanda Seyfried) em um orfanato da cidade de Londres. Sua aventura começa para valer aos 12 anos, quando é raptado pelos capangas de Barba Negra (Hugh Jackman) e é levado a um lugar mágico e bem distante.

    Chegando lá, o menino é escravizado junto com outros garotos pelo temido pirata para tentar encontrar o pixum, uma pedra preciosa que concentra o pó de fada. Depois de conseguir fugir com James Hook (Garrett Hedlund), Peter encontra nativos do local, que passam a acreditar que ele é o escolhido para se tornar o grande herói da tribo. Com Tigrinha (Rooney Mara) e companhia, o garoto inicia uma rebelião contra o Barba Negra.

    Mesmo deixando a desejar em vários aspectos (a origem da lenda do herói está longe de estar totalmente explicada), Peter Pan vale ser assistido. Se não pela forma como os personagens lendários são construídos e apresentados, ao menos pelo visual que, além de espetacular, conta com um 3D bem calibrado e acima da média, elementos capazes de garantir a diversão dos públicos de todas as idades.