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    PAN-CINEMA PERMANENTE

    Por Heitor Augusto
    14/11/2008

    "Pan" de impermeável, impenetrável. "Cinema" de atuação, interpretação. "Permanente" de imutável, crônico. Pan-cinema Permanente é sobre Waly Salomão, o poeta que realmente acreditava que a "a vida é um sonho". Para ele, não havia o "eu" e o "outro", pois "a linha de fronteira se rompeu".

    Essa fronteira também não existe no documentário de Carlos Nader, que filmou o poeta durante 15 anos. O resultado do longa não é uma investigação, mas uma celebração da arte e um companheirismo nas idéias perpetradas pelo poeta baiano. "Ele acreditava que simplesmente agindo de uma maneira não-convencional já estaria praticando poesia", define o diretor em um trecho do filme.

    A poética da vida que propunha Waly está em perfeita sintonia com a poética de Pan-cinema Permanente. Se ele era pura fluidez, o documentário absorve a transgressão e a devolve para o espectador, propondo não um acúmulo de conhecimento racional, mas uma experiência e um convite à entrada no "pequenino sonho meu" de Waly.

    O baiano nascido na sertaneja Jequié era multimídia. Manteve um sólido casamento com a literatura até morrer em 2003, aos 59 anos; flertou com a Tropicália, mas nunca vestiu a camisa do Panis et Circenses; a amante mais apaixonada foi a música, na qual ele criou e foi recriado. Com Jards Macalé, escreveu Vapor Barato, imortalizada por Gal Costa. Contra as classificações de museu, aproximou-se da experiência eletrônica de Adriana Calcanhotto em Pista de Dança. Mas também foi retratado em canções e talvez a que seja mais fiel à sua personalidade é Waly Salomão, do amigo Caetano Veloso.

    Pan-cinema Permanente, vencedor do É Tudo Verdade - Festival de Documentários, é uma busca não-realizável desde o início. O "pan-cinema" - interpretação indecifrável - era a personalidade de Waly, a ficcionalização da realidade. Mesmo assim, o diretor Carlos Nader não desiste de se aproximar o máximo que pode, mas sempre embarca na sedução de seu personagem e, por conseqüência, leva o espectador junto.

    Uma viagem. "Eu tenho o pé no chão/mas a cabeça eu gosto que avoe", defendeu Waly. Ele "avoou", o diretor "avoou" e o espectador "avoou" junto. Pan-cinema Permanente é um documentário sobre uma ficção ambulante, um poeta que nunca deixou ser tocado como objeto de estudo, mas aceitou ser olhado como motor para a vida e para a poesia.