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    PÂNICO 4

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    Por Celso Sabadin
    15/04/2011

    “Nova década, novas regras”. A frase, dita por um dos personagens de Pânico 4, dá bem o tom da continuação desta que é uma das mais bem-sucedidas franquias do terror moderno. Ou seja, desde Pânico 3 (de 2000), o mundo mudou, a sociedade mudou, os filmes de terror mudaram… mas como diz Sidney Prescott (Neve Campbell), num momento-chave deste quarto episódio, “não ferre com o original” (o verbo não é exatamente este, mas aqui a gente mantém uma certa elegância e compostura).

    Agora, a ação começa quando Sidney retorna à cidadezinha de Woodsboro, local dos massacres anteriores, para lançar seu livro, exatamente na data, digamos assim, “comemorativa” da matança. E percebe que todo o terror vivenciado por ela na década passada se transformou em motivo de festa temática para os jovens. Afinal, como diz o policial Dewey (David Arquette), “o terror de uma geração é a comédia de outra”.
    Estranhamente (ou não?) a volta de Sidney a Woodsboro desencadeia uma nova série de assassinatos e, claro, o retorno do terrível Ghostface.

    A boa notícia é que este Pânico 4 é, de longe, o melhor de todos. O criativo roteiro de Kevin Williamson (o autor da franquia) coloca num mesmo caldeirão incontáveis e hilariantes referências aos mais variados filmes de terror – modernos ou não – propondo para o fã do gênero um verdadeiro “quiz show” sobre o assunto. Só para dar uma ideia, um dos policiais mortos no filme se chama Anthony Perkins, nome do famoso ator que interpretou o assassino do clássico Psicose. É bom ficar de olhos e ouvidos abertos, pois há muito mais.

    Mais que isso, Pânico 4 questiona insistentemente os cânones – ultrapassados ou não – que os filmes de horror construíram nos últimos anos, transformando esta autoanálise em momentos de humor espontâneo e inteligente, ao mesmo tempo em que sabe manter a dose de suspense necessária ao gênero. Num show de metalinguagem, o filme é uma equilibrada mistura de suspense e comédia que certamente não decepcionará os fãs.
    Já quem não viu os filmes anteriores não deve se aventurar a ver este, sem antes conferir os DVDs de seus antecessores, sob pena de boiar durante quase o tempo todo.

    Pânico 4 traz outra grande qualidade: diferente da maioria dos demais produtos comerciais de seu gênero, ele se propõe, sim, a uma discussão um pouco mais séria (dentro dos limites do bom senso, é claro) sobre este atual e insuportável momento de culto às celebridades vazias em que vivemos. Numa análise mais fria, pode-se até dizer que o filme inteiro seja sobre isto.

    Sem estragar nenhuma surpresa, há uma memorável cena que remete ao clássico Crepúsculo dos Deuses, em que os flashes da imprensa, sedenta por um bom escândalo, estouram sobre a face enlouquecida da celebridade assassina. E é digna de nota a fala “Em que tempo você vive? O importante não é ter amigos, mas sim ter fãs”. Ou mesmo a reprimenda que Sidney recebe de uma das personagens por ela ter escrito “apenas” um livro: “Ninguém lê nada”. A morte, diferente da década passada, hoje só é sucesso se estiver na internet, a voz do assassino pode ser reproduzida através de um simples aplicativo, e matar, por si só, abre o caminho para o estrelato.

    Afinal, apenas como parênteses, as nossas revistas semanais não se cansam de estampar em suas capas closes de assassinos e criminosos, como se ídolos fossem.

    Tudo isso sob a direção de Wes Craven – um mestre do assunto - faz de Pânico 4 um dos melhores filmes de horror dos últimos anos, onde a violência gráfica e explícita cede lugar para um divertido, criativo e eficiente trabalho sobre os caminhos que a juventude, o cinema e a mídia estão trilhando.