cineclick-logo
    botão de fechar menu do cineclick
  • FILMES
  • NOTÍCIAS
  • CRÍTICAS
  • LISTAS
  • GAMES
  • © 2010-2021 cineclick.com.br - Todos os direitos reservados

    PARA POUCOS

    Produção nos faz mergulhar em sensações conflitantes num trabalho de direção que merece ser enaltecido <br />
    Por Roberto Guerra
    06/12/2011

    Quando me pedem para definir o que seria “um bom filme”, costumo responder dizendo ser aquele que – independente de avaliações técnicas - não deixa o espectador sair da sala indiferente. Mexe com suas emoções, para o bem ou para o mal.

    Assim é Para Poucos, do francês Antony Cordier (À Flor da Pele). Um filme questionador e honesto sobre o amor e suas inúmeras facetas, que transita com maestria e sensibilidade ímpar pela intimidade de dois casais dispostos a encarar uma aventura amorosa fora dos padrões sociais estabelecidos.

    Rachel (Marina Foïs) é funcionária de uma loja de joias casada com Franck (Roschdy Zem) com quem leva uma vida confortável de classe média. Quando conhece Vincent (Nicolas Duvauchelle), Rachel acaba ficando encantada e organiza um jantar com ele e sua mulher Teri (Élodie Bouchez), onde acabam se envolvendo e se relacionando numa espécie de troca de casais.

    Esqueça os clichês, as verdades prontas e os julgamentos precipitados. Cordier habilmente nos insere na intimidade desses casais, e seu pacto amoroso e erótico desprovido de culpa, de forma que nossos conceitos sobre certo e errado, aceitável ou desprezível, virem uma espécie de fardo amarrado às nossas costas. E o quarteto tampouco ignora as aparências sociais ou não sentem suas pressões. Deliberadamente, apostam viver uma realidade da qual ignoram as possíveis consequências. Por que desistir antes de experimentar?

    Para Poucos não é um filme sobre os dilemas da infidelidade conjugal, mesmo porque ela não existe de fato. Ninguém engana o parceiro, nem deixa de sentir amor por aquele com quem vive junto há anos e tem filhos. Eles promovem um teste dos limites da própria liberdade. Não há mentira, mas a consciência que o prazer pode ser buscado em outro lugar sem culpa. Até quando?

    Rachel e Vincent, e Franck e Teri, não se veem livre do ciúme ocasional, da desconfiança, da dúvida e da onipresença dos filhos sinalizando que existe uma “ordem” a ser seguida. Eles são como nós, mas decidiram ir além.

    Antony Cordier, também autor do enxuto roteiro ao lado de Julie Peyr, nos faz mergulhar nessa experiência de sensações conflitantes e quebra de paradigma, num trabalho de direção que merece ser enaltecido pelo caráter essencialmente cinematográfico. Ao longo de todo filme temos sempre uma câmera muito bem posicionada a captar detalhes e sensações que, muitas vezes, dispensam o diálogo para que tudo fique claro. Altamente recomendável.